O senador Flávio Bolsonaro (PL) chegou aos Estados Unidos nesta terça-feira (27), depois de deixar o Brasil. A informação foi confirmada por fontes da Polícia Federal e por interlocutores próximos à família Bolsonaro e à campanha do parlamentar, que foi derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais. A saída ocorre após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinar a entrega dos passaportes de Flávio e proibi-lo de viajar ao exterior.
O prazo para a entrega dos documentos terminou às 11h desta terça-feira, sem que o senador cumprisse a determinação. Na segunda-feira (26), Flávio havia informado que foi abordado pela Polícia Federal e intimado a entregar os passaportes comum e diplomático. A decisão de Moraes também o proibia de deixar o território nacional e de manter contato com o advogado Willer Tomaz, investigado em um procedimento que tramita no STF.
Antes da viagem, Flávio discutiu a possibilidade de deixar o país com um grupo restrito de pessoas próximas, mas não chegou a comunicar uma decisão definitiva. Segundo relatos, ele dizia preferir permanecer no Brasil para exercer o papel de oposição ao governo Lula. No domingo (25), dia do segundo turno, deputados defenderam que a Argentina seria o caminho mais fácil caso ele decidisse sair do território brasileiro. Parte dos aliados foi surpreendida nesta terça-feira pelas informações sobre a viagem.
A saída ocorre dois dias após a derrota nas eleições presidenciais. Lula foi reeleito no domingo (25) com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% do candidato do PL, uma diferença de aproximadamente 4,43 milhões de votos. Após o resultado, Flávio evitou reconhecer expressamente a vitória do petista e afirmou que pretendia questionar judicialmente a eleição. Na segunda-feira, disse que buscaria a cassação da chapa adversária, mas também declarou que pretendia liderar a oposição ao próximo governo.
O senador foi aconselhado a viajar aos Estados Unidos por uma ala de seus aliados, recomendação revelada na segunda-feira (26) e que ocorreu no contexto da derrota eleitoral e das preocupações com o avanço de investigações judiciais. Na sexta-feira (23), dois dias antes do segundo turno, Eduardo Bolsonaro havia defendido publicamente, durante participação em um podcast norte-americano, que Flávio deixasse o Brasil caso fosse derrotado por Lula. Eduardo vive nos Estados Unidos desde 2025. Até a publicação desta reportagem, Flávio não havia respondido às tentativas de contato para esclarecer sua saída do país e informar seu paradeiro.



