Em fevereiro de 1980, o Partido dos Trabalhadores (PT) foi oficialmente criado em São Paulo, num momento de forte tensão política no país. A iniciativa resultou da união entre sindicalistas, intelectuais, religiosos e militantes de movimentos sociais, que buscavam uma organização política livre das elites tradicionais e do regime autoritário estabelecido.
O evento inaugural ocorreu no auditório do Colégio Sion, com cerca de 1.200 participantes. A ocasião marcou a aprovação do manifesto de lançamento do partido, que defendia uma democracia construída pela classe trabalhadora e a superação do sistema então vigente, vinculado ao Estado.
Luiz Inácio Lula da Silva, então presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema, liderou o processo. Sua atuação nas greves do ABC Paulista, no final da década de 1970, impulsionou o chamado novo sindicalismo, uma corrente sindical mais combativa e independente.
Além do núcleo sindical, intelectuais como Apolônio de Carvalho, Mário Pedrosa e Antonio Candido assinaram as primeiras fichas. Progressistas da Igreja Católica, ligados à Teologia da Libertação e às Comunidades Eclesiais de Base, também apoiaram o partido, ampliando sua base social e cultural.

