O ministro Gilmar Mendes, integrante do Supremo Tribunal Federal (STF), manifestou apoio à decisão de Alexandre de Moraes, que permitiu a busca e apreensão na residência de Raimundo Cutrim. O ex-secretário do governo do Maranhão é apontado como fonte do jornalista Luís Pablo Conceição Almeida e sua inclusão na investigação está ligada a supostas ameaças, chantagens e constrangimentos ilegais que envolvem o ministro Flávio Dino.
Em uma entrevista ao programa TMC 360, realizada na sexta-feira, 14, Gilmar Mendes destacou a complexidade do caso, afirmando que a investigação visa esclarecer se a fonte poderia ter utilizado sua atividade jornalística para perpetrar ameaças ou outros delitos. O ministro também reconheceu as preocupações levantadas por entidades de imprensa em relação à decisão, enfatizando que a proteção da fonte é um dos pilares da liberdade de imprensa e requer a devida atenção do Judiciário.
A operação da Polícia Federal que visou Cutrim resultou na apreensão de 26 armas e mais de 700 munições em sua residência. Atualmente, o ex-secretário encontra-se em prisão domiciliar desde 19 de julho, em um processo diferente que tramita no STF, onde é investigado por suspeitas de coação de testemunhas e obstrução da Justiça.
O nome de Raimundo Cutrim foi mencionado na investigação após a Polícia Federal localizar informações em um celular pertencente ao jornalista Luís Pablo. Este já havia sido alvo de investigação em março pela própria PF. Durante a apuração, foram identificadas movimentações financeiras que supostamente beneficiavam o jornalista, levantando questionamentos sobre uma possível relação entre os pagamentos e publicações que eram do interesse do ex-secretário.
Luís Pablo, em suas reportagens, abordou o uso de veículos oficiais do Tribunal de Justiça do Maranhão por familiares de Flávio Dino, publicando fotos, placas dos automóveis e dados sobre os agentes de segurança que acompanhavam o ministro.
O presidente do STF, Edson Fachin, também se posicionou em defesa da liberdade de imprensa durante uma sessão da Corte, reafirmando o compromisso do tribunal com o sigilo das fontes. Fachin indicou que o plenário do STF deverá analisar o caso em questão. Contudo, ele também ressaltou a necessidade de investigações sobre eventuais ameaças direcionadas a ministros e seus familiares.



