A rejeição da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal (STF) na noite de quarta-feira (29) gerou um clima de tensão no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Imediatamente após a confirmação da derrota, Lula e seus aliados se reuniram no Palácio da Alvorada, em Brasília, para discutir a situação e mapear possíveis traições que contribuíram para o resultado adverso.
Interlocutores próximos ao presidente afirmam que dissidências foram identificadas principalmente entre senadores do MDB e do PSD. A articulação contrária à nomeação de Messias teria o envolvimento do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, além do ex-presidente Rodrigo Pacheco e do ministro Alexandre de Moraes. Um jantar realizado na residência oficial de Alcolumbre na noite anterior à votação, segundo relatos, teria consolidado um entendimento para barrar a indicação.
O governo Lula havia considerado a aprovação de Messias como certa, prevendo cerca de 45 votos favoráveis, número que superava em quatro o mínimo necessário. Contudo, a votação secreta resultou em 42 votos contrários e apenas 34 favoráveis à indicação do advogado-geral.
Entre os senadores que, segundo informações, teriam se afastado da posição inicial, estão Renan Calheiros, do MDB, e seu filho, Renan Filho, ex-ministro dos Transportes. A frustração com a rejeição da indicação aumentou as tensões internas, levando o governo a planejar uma resposta que pode incluir mudanças significativas na composição política.
Entre as ações que podem ser tomadas, estão exonerações de ministros aliados a Davi Alcolumbre, como Waldez Góes, responsável pela Integração e Desenvolvimento Regional, e Frederico Siqueira, ministro das Comunicações. Embora Lula evite reações imediatas, a insatisfação com a situação atual é palpável entre os integrantes do governo, que buscam formas de reagir à traição percebida na votação do Senado.



