A discussão sobre a ampliação do número de seleções na Copa do Mundo não é uma novidade, e já estava em pauta em 1974, logo após a conquista do tricampeonato pelo Brasil em 1970. Na época, a Fifa, sob a liderança de Sir Stanley Rous, começou a considerar a inclusão de 24 seleções na competição, que até então contava com apenas 16 equipes. Essa proposta foi mencionada em uma matéria da Folha de S.Paulo, publicada em 2 de julho de 1970.
Na entrevista, Rous indicou que a Copa do Mundo de 1974, que seria realizada na Alemanha Ocidental, teria um novo formato, permitindo uma maior diversidade de países participantes. Ele também sugeriu que as eliminatórias poderiam ser reformuladas, com a substituição do sistema atual por torneios continentais, como as Copas das Nações e campeonatos regionais, para decidir quais seleções estariam presentes no mundial.
O presidente da Fifa destacou a importância do futebol africano, mencionando seleções como Egito, Sudão e Gana, e fez uma referência especial à Costa do Marfim, afirmando que o país possuía talentos comparáveis ao famoso Eusébio da Silva Ferreira, um dos grandes ícones do futebol português. A intenção de Rous era transformar a Copa em um verdadeiro campeonato mundial, em vez de um torneio limitado à Europa e América.
Apesar das propostas de mudança, a ampliação do torneio para 24 seleções somente se concretizou na Copa de 1982, realizada na Espanha, já sob a presidência de João Havelange. O mundial de 1974 se tornou o último evento sob a administração de Rous, que foi sucedido por Havelange, o responsável por implementar mudanças significativas na estrutura da Fifa.
Essas discussões sobre a ampliação da Copa do Mundo nos anos 70 revelam um contexto de transformação no futebol, onde a inclusão de mais seleções poderia ter alterado a dinâmica do torneio muito antes do que ocorreu. A proposta de Rous, embora não implementada na época, reflete um desejo de democratizar o acesso ao mundial e valorizar o potencial de seleções de diferentes continentes.



