Em 4 de janeiro, um adolescente matou um cachorro, o caso gerou comoção no Brasil e dominou as redes sociais. O animal, conhecido como cão Orelha, foi lembrado em diversos contextos, como mercado e academia. O crime despertou a indignação da sociedade e pedidos de punição mais severa para maus-tratos animais, além de promessas de projetos de lei para endurecer as penas relacionadas a esses crimes.
Por outro lado, no último dia 21, uma freira de 82 anos foi assassinada no Paraná. O crime, caracterizado por brutalidade, foi cometido por um homem que estava sob efeito de drogas e alegou ter agido por influência de vozes. Apesar da gravidade da situação, a repercussão nas redes sociais foi significativamente menor em comparação ao caso do cachorro.
A diferença na mobilização social levanta questionamentos sobre a hierarquia de valor entre a vida humana e a de animais. A indignação gerada pela morte do cão Orelha resultou em uma forte movimentação por mudanças na legislação, enquanto o assassinato da freira não recebeu o mesmo nível de atenção ou clamor público.
Essa seletividade moral é alarmante e indica que, em certos casos, a vida de um ser humano não provoca a mesma reação que a de um animal. A situação evidencia uma discrepância nas prioridades e no valor atribuído a diferentes vidas na sociedade.

