O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), anunciou neste domingo (13) o fim do sigilo das investigações conduzidas pela Polícia Civil de São Paulo sobre o financiamento do filme Dark Horse, que narra a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A Polícia Federal (PF) está investigando se houve irregularidades no repasse de verbas, incluindo emendas parlamentares, para cobrir os custos da produção do filme.
Com a decisão, a Secretaria de Segurança do Estado de São Paulo deverá fornecer todo o material coletado pelos investigadores, o que inclui dados de celulares de pessoas físicas e jurídicas, além de outros documentos que estão sendo analisados no caso. O despacho de Dino também determina que todos os computadores da polícia paulista sejam transferidos para a custódia da PF.
Essa ação de Flávio Dino contraria os pedidos da defesa de Flávio Bolsonaro (PL), que solicitou ao STF que todas as investigações relacionadas ao filme fossem atribuídas ao ministro André Mendonça — indicado por Jair Bolsonaro em 2021 —, que é o relator do caso no Supremo, excluindo assim a análise de Dino.
As investigações estão focadas, em parte, no suposto envolvimento de Mário Frias, que é apontado como responsável pelo encaminhamento de emendas parlamentares para o financiamento de Dark Horse. Na última quinta-feira (10), a Polícia Federal iniciou uma operação contra 29 pessoas, incluindo Frias, relacionadas à apuração do envio de emendas para a produtora Go Up, encarregada da produção do filme.
A operação foi autorizada por Flávio Dino, no mesmo processo em que a defesa de Flávio Bolsonaro havia tentado transferir a análise para o ministro Mendonça. Desde maio, Dark Horse está sob investigação da PF, após a divulgação de áudios em que Flávio Bolsonaro requisita uma quantia de R$ 134 milhões ao banqueiro Daniel Vorcaro, ex-proprietário do Banco Master, atualmente preso por crimes financeiros, para concluir o longa-metragem.



