Autoridades que investigam o escândalo financeiro do Banco Master consideram que a situação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes é mais complicada juridicamente do que a de Dias Toffoli. A relação atribuída a Toffoli estaria ligada a uma negociação comercial relacionada ao resort Tayayá, enquanto a de Moraes envolve uma possível atuação em favor de interesses do ex-banqueiro investigado.
Em meio a esse cenário, há uma articulação para formar maioria na Corte e impedir a abertura de um inquérito contra Moraes. Essa estratégia visa fragilizar a posição do ministro Kassio Nunes Marques, que é visto como um voto decisivo no caso. Recentemente, foi revelado que o advogado Kevin de Carvalho Marques, filho de Nunes Marques, recebeu R$ 281,6 mil da Consult Inteligência Tributária, que recebeu R$ 6,6 milhões do Banco Master.
Investigadores avaliam que, se Nunes Marques ou seu filho forem alvo das apurações, o magistrado poderia mudar sua posição sobre a abertura do inquérito. Atualmente, há uma maioria apertada a favor da apuração contra Moraes, com votos a favor de Mendonça, Luiz Fux, Cármen Lúcia, Edson Fachin e Nunes Marques, e contra de Cristiano Zanin, Toffoli, Flávio Dino e Gilmar Mendes. Moraes não participaria da votação.
A eventual abertura de investigação depende da autorização do plenário do STF. Caso o inquérito seja instaurado, uma possível denúncia dependeria do procurador-geral da República, Paulo Gonet. Investigadores veem como incerta a apresentação de uma acusação formal contra ministros da Corte.


