O advogado-geral da União, Jorge Messias, foi indicado para preencher a vaga deixada por Luís Roberto Barroso no Supremo Tribunal Federal (STF). Messias, que é considerado um dos principais aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ganhou notoriedade em 2016, quando uma conversa gravada pela Polícia Federal revelou que a então presidente Dilma Rousseff mencionou um "Bessias" em uma ligação com Lula, referindo-se a ele. Naquele momento, Messias ocupava o cargo de subchefe para Assuntos Jurídicos da Presidência da República, um setor que presta assessoramento direto à presidente.
Durante a Operação Lava Jato, Lula enfrentou diversas investigações que culminaram em sua prisão em 2018, embora sua condenação tenha sido posteriormente anulada. A proposta de Dilma em nomear Lula como ministro tinha o intuito de garantir a ele foro privilegiado, mas essa nomeação não se concretizou, e o ex-presidente acabou não assumindo nenhum cargo no governo de sua sucessora.
Nascido no Recife, Jorge Rodrigo Araújo Messias, de 46 anos, é procurador concursado da Fazenda Nacional desde 2007. Ele possui formação em direito pela Faculdade de Direito do Recife (UFPE) e é mestre e doutor em Desenvolvimento, Sociedade e Cooperação Internacional pela Universidade de Brasília (UnB). Além disso, Messias ocupou diversas posições relevantes, incluindo subchefe de Análise e Acompanhamento de Políticas Governamentais na Casa Civil, Secretário de Regulação e Supervisão do Ministério da Saúde, e Consultor Jurídico do Ministério da Educação e da Ciência, Tecnologia e Inovação.
Em 1º de janeiro de 2023, ele assumiu a AGU, logo no início do terceiro mandato de Lula. Outros ministros do STF, como Gilmar Mendes, Dias Toffoli e André Mendonça, também exercitaram a função de advogado-geral da União anteriormente. Messias, que é casado e pai de dois filhos, é evangélico e frequenta a Igreja Batista, o que pode ser interpretado como uma tentativa de Lula de aumentar sua popularidade entre a comunidade evangélica.
Após a indicação formal, Jorge Messias deverá passar por uma sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, onde a aprovação requer apenas maioria simples. Contudo, para a ratificação no plenário, são necessários pelo menos 41 votos, ou seja, a maioria absoluta. O nome que contava com apoio significativo dos senadores e do presidente Davi Alcolumbre (União-AP) era o de Rodrigo Pacheco (PSD-MG), e informações de congressistas próximos a Alcolumbre indicavam que uma escolha diferente poderia resultar em atrasos ou até mesmo na rejeição da indicação.
A trajetória de Jorge Messias reflete não apenas sua experiência legal, mas também um elemento estratégico na política de alianças de Lula, especialmente no que diz respeito ao apoio da base evangélica, um segmento que se tornou crucial nas eleições e decisões políticas recentes.



