Um dos mais importantes nomes do teatro paranaense, o ator, produtor e diretor José Maria Santos ganhou um documentário, “Teatro José Maria Santos: Estamos Juntos!”, lançando no canal do Youtube do Centro Cultural Teatro Guaíra (CCTG), que reconta as dificuldades que ele enfrentou para viabilizar a criação de um espaço teatral para cidade, o icônico Teatro José Maria Santos, na 13 de Maio, que completa hoje, 28 anos da inauguração.
José Maria Santos, falecido em 1990, também foi diretor do grupo teatral da Escola Técnica Federal do Paraná, o atual CEFET, onde vários nomes do jornalismo paranaense passaram, entre eles, Fernando Tupan, Cley Scholtz, Ulisses Iaroschinski e George Bostelmann, todos participaram ativamente pela mobilização pelo espaço cênico.
Com 23 minutos de duração, o documentário apresenta a trajetória do espaço cultural e destaca a atuação de José Maria Santos, considerado um dos grandes responsáveis pela consolidação do teatro profissional no Paraná. Dividido em três partes, o filme reúne depoimentos de artistas, imagens de acervo e relatos sobre a mobilização que impediu a demolição do prédio, ameaçado de dar lugar a um estacionamento na década de 1980.
A história do teatro está diretamente ligada ao protagonismo de José Maria Santos. Em um período marcado pela escassez de espaços para apresentações em Curitiba, o artista defendeu a criação de um palco administrado pela própria classe teatral. Dessa iniciativa nasceu, no início dos anos 1980, o Teatro da Classe, instalado em um prédio histórico da Rua 13 de Maio e administrado pela Associação dos Produtores de Espetáculos Teatrais do Paraná (APETEP-PR), presidida por ele.
O espaço foi inaugurado em março de 1982 com a peça A Reputação de Quatro Bicos, estrelada pelo próprio José Maria Santos. Alguns anos depois, passou a se chamar Teatro 13 de Maio e se transformou em um importante centro cultural, recebendo espetáculos de teatro, dança, música, exposições de artes visuais e eventos comandados por nomes como o poeta Paulo Leminski.
Mesmo com intensa programação, o teatro enfrentou uma grave ameaça de fechamento e demolição. A mobilização de artistas, produtores e intelectuais foi decisiva para preservar o imóvel. Entre os apoiadores da campanha esteve o cantor Gilberto Gil, que durante um show no Guairão fez um apelo público pela preservação do espaço. Paulo Leminski também participou ativamente da mobilização, promovendo apresentações e produzindo textos em defesa do teatro.
O esforço coletivo resultou no tombamento do prédio pelo Patrimônio Cultural do Paraná, em 1988. No ano seguinte, o imóvel foi desapropriado pelo Governo do Estado e, em 1991, recebeu oficialmente o nome de Teatro José Maria Santos, em homenagem ao artista, falecido em janeiro de 1990. A reinauguração ocorreu em 27 de junho de 1998, consolidando o espaço como um dos símbolos da produção teatral paranaense.
Além da carreira como ator e diretor, José Maria Santos exerceu papel fundamental na organização da classe artística. Foi produtor, professor e articulador da criação do Sindicato dos Artistas e da Associação dos Produtores de Espetáculos Teatrais do Paraná, entidades que contribuíram para fortalecer o setor cultural no Estado.
Ex-alunos e colegas destacam o legado deixado pelo artista. O diretor-presidente do Centro Cultural Teatro Guaíra, Cleverson Cavalheiro, lembra que José Maria defendia a ampliação dos espaços dedicados às artes cênicas e acreditava na construção coletiva do teatro paranaense.
O documentarista, jornalista e ator Ulisses Iarochinski, autor de um livro e de um documentário sobre José Maria Santos, ressalta o perfil empreendedor do homenageado. Segundo ele, o artista conciliava diferentes atividades para manter seus projetos culturais e se tornou referência por realizar cerca de 1.800 apresentações do monólogo Lá, de Sérgio Jockyman, ao longo de 18 anos.
Ao completar 28 anos, o Teatro José Maria Santos reafirma sua importância como patrimônio cultural do Paraná e mantém vivo o legado de um artista que ajudou a transformar a cena teatral do Estado, formando gerações de profissionais e defendendo a valorização da cultura como instrumento de desenvolvimento social.
A relevância de Zé Maria teve reconhecimento nacional: em 1977, recebeu o Kikito de Ouro no Festival de Gramado pela interpretação do personagem Dr. Aurélio, no filme Aleluia Gretchen, de Sylvio Back — feito notável por ter sido conquistado sem que o ator precisasse deixar Curitiba, cidade onde atuou por mais de três décadas. Atualmente, a estatueta está exposta em um dos corredores do Teatro José Maria Santos, junto a outros objetos e fotos que preservam a memória e o legado do artista.
Leia outras matérias do Jornal Paraná e do parceiro Blog do Tupan
Podemos aposta em Ogier Buchi, Lu Bonatto e Do Carmo para ampliar bancada na Alep
Aliança entre PL e Novo ganha novo desenho no Paraná
Rafael Greca bate na mesa para ser candidato
PCdoB tenta quebrar a hegemonia do PT na Federação Brasil da Esperança
Intervenções na gestão Eduardo Pimentel são definidas a partir de demandas da população
Programação cultural tem de tudo, até ateliê de Rogério Dias no Alfredo Andersen
TJ-PR suspende edital da nova concessão do transporte coletivo de Curitiba e Prefeitura anuncia recurso
Cianorte, São Joseense e Cascavel decidem futuro na Série D
Maringá tenta entrar no G8 da Série C contra a Inter de Limeira
Londrina deixa escapar a vitória depois de estar vencendo por dois gols
Coisas a se evitar para ter uma cabeça mais saudável
Hackers estão utilizando novos modelos de IA para fazerem ataques cibernéticos
Esse treino vai te deixar com braços grandes
Curitiba terá semana de frio, aumento da nebulosidade e volta da chuva
Conservatório de MPB de Curitiba está com inscrições abertas para aulas de música
Embarcação do tráfico carregava mais de uma tonelada de droga
Jovem morto em distribuidora de Araucária foi assassinado por engano
Horóscopo de 27 de junho de 2026
Óbitos de Curitiba em 26 de junho de 2026



