O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, classificou como "muito ruim" a postura do senador Flávio Bolsonaro (PL) após a derrota para Luiz Inácio Lula (PT) no segundo turno das eleições presidenciais. Em entrevista ao programa Direto ao Ponto, da Jovem Pan News, Kassab criticou os questionamentos ao resultado eleitoral e chamou de "desastrosa" a carta publicada pelo senador depois de chegar aos Estados Unidos. Segundo Kassab, Flávio poderia ter reconhecido o resultado das urnas, mesmo sem cumprimentar Lula, e recorrido à Justiça Eleitoral para contestar eventuais irregularidades.
Kassab afirmou que o senador adotou uma postura equivocada no primeiro momento e depois recuou. "Ele preferiu fazer de maneira diferente para depois recuar porque viu que tinha errado, mas mostrou seu instinto", declarou. O dirigente também lamentou a postura do parlamentar no pós-eleição. A Jovem Pan revelou em 27 de outubro que Flávio deixou o Brasil com destino aos Estados Unidos após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar a entrega dos passaportes e proibi-lo de viajar ao exterior. No dia seguinte, já nos EUA, Flávio divulgou uma carta na qual se apresentou como o "verdadeiro presidente eleito do Brasil" e classificou o resultado das urnas como fraudulento, sem apresentar provas. Posteriormente, publicou uma nova versão do documento, substituindo a expressão por "líder do Brasil".
Durante a entrevista, Kassab citou a disputa pelo governo do Rio de Janeiro como exemplo. O PSD e aliados de Eduardo Paes questionam judicialmente a anulação dos votos de Anthony Garotinho (Republicanos), decisão que garantiu a eleição de Douglas Ruas (PL) ainda no primeiro turno. Segundo Kassab, a contestação judicial não impede que o PSD reconheça a condição de governador eleito de Ruas e colabore para a transição. "Em nenhum momento estamos pregando nada que não seja dentro da lei", afirmou.
Sobre o futuro da direita, Kassab avaliou que o bolsonarismo saiu desgastado das eleições, mas continua relevante. Ele citou a audiência de uma transmissão ao vivo de Flávio após a chegada aos Estados Unidos como exemplo da capacidade de mobilização. "Eu entendo que o Bolsonaro não tá morto. Isso é muito significativo, mas tá desgastado", afirmou. O dirigente demonstrou dúvidas sobre a possibilidade de um integrante da família Bolsonaro disputar novamente a Presidência em 2030. "Eu não sei se teremos um Bolsonaro em eleições majoritárias daqui a quatro anos. Na minha visão de hoje, seria um grande erro. Já foi um grande erro", declarou. Kassab também considerou precipitado discutir uma candidatura do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), em 2030. "Realmente eu acho muito precipitado falar em eleições agora, até porque o eleitor vai perder o respeito. Cada um tem a sua missão", afirmou.
Lula venceu Flávio no segundo turno, realizado em 25 de outubro, com 64.256.232 votos, equivalentes a 51,79% dos válidos. O candidato do PL recebeu 59.826.041 votos, ou 48,21%. Apesar das críticas, Kassab reafirmou que o PSD respeita o PL, partido que classificou como conservador. A legenda de Flávio terá a maior bancada individual da Câmara dos Deputados em 2027, com 121 parlamentares, além da maior representação no Senado, com 28 cadeiras.



