A candidata do partido Fuerza Popular, Keiko Fujimori, conquistou a presidência do Peru ao obter 50,135% dos votos nas eleições realizadas no dia 7 de junho. O resultado do segundo turno foi disputado, com seu adversário, Roberto Sánchez, do partido Juntos por el Perú, alcançando 49,865%. Essa eleição marca um novo capítulo na política peruana, que tem visto uma grande instabilidade nos últimos anos, com oito presidentes em apenas dez anos.
Keiko, que é formada em administração de empresas pela Universidade Boston, é filha do ex-presidente Alberto Fujimori, que governou o Peru de 1990 a 2000. Durante seu governo, ele enfrentou um impeachment e foi condenado por corrupção e violação dos direitos humanos. Alberto Fujimori foi preso em 2005 e extraditado ao Peru em 2007. A trajetória política de Keiko começou a ganhar destaque em 2006, quando foi a deputada mais votada da história do país, recebendo 600 mil votos.
Após sua primeira candidatura à presidência em 2011, onde foi derrotada no segundo turno, Keiko tentou novamente em 2016 e 2021, mas em ambas ocasiões não obteve sucesso. Sua trajetória também foi marcada por polêmicas, incluindo a prisão preventiva em 2018, relacionada ao escândalo da Odebrecht, que teve desdobramentos na Operação Lava Jato no Brasil. Embora tenha sido libertada, enfrentou novas prisões e solturas até que a ordem de prisão foi revogada em abril de 2020.
Como principal representante do fujimorismo, Keiko prometeu implementar políticas de expulsão de imigrantes e fortalecer os laços com os Estados Unidos. O cenário político do Peru, desde 2000, tem sido caracterizado pela rápida troca de presidentes, com apenas três chefes de Estado conseguindo completar seus mandatos de cinco anos. O último presidente a cumprir o período integral foi Ollanta Humala, que deixou o poder em 2016.
Após a renúncia de Pedro Pablo Kuczynski em 2018, Martín Vizcarra assumiu a presidência, mas foi destituído em 2020. Manuel Merino, que o sucedeu, renunciou após cinco dias, e Francisco Sagasti assumiu até a posse de Pedro Castillo em 2021. Castillo, após um ano e pouco no poder, foi deposto em dezembro de 2022, sendo sucedido por Dina Boluarte, que também enfrentou um impeachment em 2025.
O atual presidente, José María Balcázar, é quem ficará responsável pela transferência de poder, que está prevista para ocorrer em 28 de julho de 2026, após a nova eleição de Keiko Fujimori. Essa nova administração poderá trazer mudanças significativas para o futuro político e econômico do Peru, que busca estabilidade após anos de crises e mudanças constantes de liderança.



