O provérbio espanhol "Cria cuervos, y te sacarán los ojos" ilustra bem a situação atual entre a elite econômica e a liderança política de Lula. Recentemente, durante um ato do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), o presidente fez um questionamento incisivo sobre a compreensão das elites em relação à vida dos pobres, afirmando que para esses indivíduos, a população carente é reduzida a meros números.
Lula também criticou a influência da Faria Lima na condução do Estado brasileiro, sugerindo que os interesses financeiros preferem ver os recursos públicos servindo a seus próprios fins, em vez de serem utilizados para beneficiar a educação das crianças mais necessitadas. Essa narrativa, que se baseia na dicotomia entre ricos e pobres, reflete uma indignação social que parece ser uma constante em sua retórica.
Este discurso não é novidade. A trajetória política de Lula e sua aliança com Fidel Castro nos anos 1990, ao fundar uma organização para resgatar ideais na América Latina, revela uma hostilidade histórica em relação ao capital. O apelo feito em 2022 para que o ex-presidente fosse visto como um salvador da democracia foi, na verdade, uma aceitação de um projeto que não disfarça sua aversão ao capitalismo.
As elites económicas, que acreditaram que poderiam controlar a situação com um novo arcabouço fiscal e alguns gestos simbólicos, cometeram um engano. A história mostra que regimes totalitários, tanto fascistas quanto comunistas, não são facilmente domesticáveis; eles aguardam o momento certo para mostrar sua verdadeira face.
Agora, a Faria Lima, que ajudou a criar e nutrir essa retórica, observa perplexa a resposta de Lula, que parece não ter mudado ao longo do tempo. O próprio presidente, ao se dirigir aos manifestantes, reafirma um discurso que sempre esteve presente em sua trajetória política, evidenciando a constante tensão entre interesses econômicos e sociais no Brasil.



