O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, declarou nesta terça-feira (21) que o Brasil pode retaliar a expulsão de um delegado brasileiro pelos Estados Unidos, citando a possibilidade de adotar a "reciprocidade". A declaração foi feita durante uma conversa com a imprensa em Hannover, na Alemanha, onde Lula comentou sobre a situação do delegado da Polícia Federal, Marcelo Ivo de Carvalho, que foi convidado a deixar o território americano na segunda-feira (20).
Lula se referiu ao caso do ex-deputado federal Alexandre Ramagem, que foi preso nos EUA pelo Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE) no dia 13 de abril. Em suas palavras, o presidente enfatizou que o país não aceitará abusos ou ingerências por parte de autoridades americanas. "Fui informado hoje de manhã, acho que se houve um abuso americano com relação ao nosso policial, nós vamos fazer a reciprocidade com o dele no Brasil", afirmou.
A expulsão de Marcelo Ivo ocorreu sem a divulgação de explicações detalhadas sobre os motivos. De acordo com o Escritório para o Hemisfério Ocidental do Departamento de Estado dos EUA, a decisão foi tomada porque o delegado teria tentado manipular o sistema de imigração americano, contornando pedidos formais de extradição e buscando efetuar perseguições políticas no território dos Estados Unidos.
Marcelo Ivo atuava como oficial de ligação da PF junto ao ICE e estava nos Estados Unidos em uma missão oficial. A Polícia Federal já havia informado que ele estava colaborando com as autoridades americanas. A situação do ex-deputado Alexandre Ramagem é complexa; condenado a 16 anos de prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado, ele foi detido em Orlando, na Flórida, mas, devido ao pedido de asilo, não pôde ser extraditado de imediato.
Após a prisão, Ramagem foi liberado no dia 15 de abril, alegando que sua detenção estava relacionada a "questões migratórias" e não a ações penais. Em um vídeo, ele expressou gratidão àqueles que o apoiaram, incluindo o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, que auxiliou a família de Ramagem durante o período de detenção. Eduardo também afirmou que a liberação foi resultado da análise das autoridades americanas, que reconheceram que não havia necessidade para a prisão.
Ramagem, por sua vez, criticou a Polícia Federal, comparando-a a uma "polícia de jagunços" sob a direção de Andrei Rodrigues, e reforçou que não tem nada a esconder. A situação levantou questões sobre a atuação das autoridades brasileiras e a relação com os Estados Unidos, especialmente em um contexto de crescente tensão diplomática.


