O presidente da República e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), manifestou a intenção de estabelecer uma "polícia especial" voltada para o combate ao crime organizado nas comunidades. Durante uma entrevista ao programa Canal Livre, da Band, Lula destacou que, caso seja reeleito, seu governo criará um ministério dedicado exclusivamente à segurança pública, que atualmente é gerido pelo Ministério da Justiça. A entrevista será exibida na noite deste domingo, dia 27, às 20 horas.
Lula afirmou que, assim que aprovada a emenda constitucional, no dia seguinte será criado o Ministério da Segurança Pública, que incluirá a nova força policial. “O terrorismo na comunidade, nós vamos acabar. Essa Força Nacional será capaz de fazer intervenção em qualquer situação”, declarou o presidente, enfatizando a necessidade de uma abordagem mais eficaz.
Em sua análise, Lula criticou as intervenções federais que utilizam as Forças Armadas, afirmando que essas ações não geraram os resultados desejados. Ele explicou que, quando o Exército era enviado para as comunidades, os criminosos se afastavam temporariamente, mas retornavam assim que as tropas deixavam a área. “Essa Força Nacional é boa, mas não é suficiente. Precisamos de uma Força Nacional preparada para atuar com efetividade”, complementou.
O presidente também abordou a questão da violência policial em comunidades, ressaltando que a melhor estratégia para combater o crime organizado é por meio da asfixia financeira. Para ele, o crime se transformou em uma "indústria multinacional" que permeia diversos setores, como a justiça, a polícia, o futebol, a política e o empresariado.
“É muito fácil ir lá e matar, como foi feito agora no Rio de Janeiro, no Massacre do Carandiru em 1992, em São Paulo. O governador até ganha popularidade, mas isso não traz resultados. O que realmente funciona é garantir direitos às pessoas. A polícia deve ocupar de forma ordenada, mas é fundamental que o Estado tenha uma presença efetiva com políticas públicas em cada comunidade”, destacou.
Além disso, Lula expressou sua crítica à classificação das facções criminosas, como o PCC e o Comando Vermelho, como "terroristas" pelo governo dos Estados Unidos. “O terrorismo do Trump é o terrorismo de Estado, que visa derrubar governos. O nosso terrorismo é aquele que impede a comunidade de viver livremente”, concluiu o presidente.



