A célebre frase do consultor político James Carville, "É a economia, estúpido!", utilizada na campanha de Bill Clinton em 1992, ressoa novamente na política contemporânea. No Brasil, o presidente Lula (PT), em sua pré-campanha para reeleição em 2026, busca se apoiar em dados econômicos para conquistar o eleitorado. Com um desemprego em níveis recordes e a inflação sob controle, Lula também se destaca por ter negociado com os Estados Unidos a redução do "tarifaço" que era imposto a produtos brasileiros durante o governo de Donald Trump.
Entre as iniciativas que o governo tem promovido estão a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000, o programa Pé de Meia, que visa a distribuição de renda entre jovens estudantes, e o Gás do Povo. No entanto, essas medidas não têm conseguido entusiasmar o eleitorado. A ascensão de Flávio Bolsonaro (PL) como o principal pré-candidato da oposição trouxe uma queda nas pesquisas de Lula e um aumento em sua rejeição.
Nos bastidores, integrantes do PT reconhecem que o principal desafio reside na comunicação. Apesar de reconhecerem o trabalho de Sidônio Palmeira, o partido admite que a direita tem conseguido se destacar nas redes sociais. A oposição tem utilizado a guerra narrativa em torno da economia, destacando o endividamento público, os prejuízos das estatais e o aumento de impostos como argumentos eficazes.
Diante dessa situação, a estratégia do PT passou por uma mudança significativa. A avaliação é de que os dados econômicos, por si só, não são suficientes para convencer os eleitores. Assim, a nova abordagem do governo foca na "economia palpável" e na melhoria do poder de compra. O novo programa Desenrola, que oferece descontos de até 90% no pagamento de dívidas, e a revogação da chamada "taxa das blusinhas" são ações que visam gerar um impacto imediato nas finanças da população.
Outro ponto importante na pauta do PT é a discussão sobre o fim da escala 6×1, uma proposta que visa atrair o eleitorado jovem, que tem mostrado descontentamento com Lula. No entanto, a resistência do setor produtivo à medida fortalece a narrativa da oposição, que alega que a suposta irresponsabilidade fiscal do governo pode levar o Brasil a uma crise. Apesar dos desafios, a avaliação interna é de que, com a proximidade das eleições, essa pauta pode impulsionar a candidatura do atual presidente.



