A deputada federal Maria do Rosário, do PT do Rio Grande do Sul, saiu em defesa de Michelle Bolsonaro, ex-primeira-dama e atual presidente do PL Mulher, após a divulgação de um vídeo em que Michelle relata ter sido desrespeitada por Flávio Bolsonaro, seu enteado. Rosário enfatizou que, embora Michelle nunca tenha se importado com o desrespeito contra as mulheres promovido por sua família, “nenhuma mulher deve ser menosprezada”.
O episódio remete a um momento polêmico da trajetória de Jair Bolsonaro na Câmara dos Deputados. Em 2014, o ex-presidente, então deputado federal, fez uma declaração controversa em relação a Maria do Rosário, afirmando que ela não mereceria ser estuprada, o que resultou em uma condenação por danos morais. A deputada criticou a continuidade do desrespeito por parte da família Bolsonaro, afirmando que “os ‘Bolsonaros’ sempre desrespeitaram mulheres”.
Maria do Rosário questionou a postura de Michelle, indagando se ela realmente só percebeu essa dinâmica opressora agora. “Flávio, além da corrupção toda, tenta se livrar da linha de ódio às mulheres do pai, mas é igualzinho”, disse a deputada, destacando que a misoginia e a violência têm sido características marcantes da família.
Em resposta à situação, Rosário sugeriu que Michelle deveria registrar um Boletim de Ocorrência (BO) para denunciar a opressão vivida. O desentendimento ganhou notoriedade após a ex-primeira-dama publicar dois vídeos nas redes sociais nesta quarta-feira, 24, onde afirma ter sido humilhada e desrespeitada por Flávio durante uma ligação. Michelle relatou que ele afirmou que seria melhor que ela ficasse fora das decisões do partido, o que ela considerou uma “punhalada”.
Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL à Presidência da República, inicialmente se manifestou em uma live, antes do jogo da Seleção Brasileira, afirmando que “nada nem ninguém” o aborrece. Posteriormente, publicou uma mensagem nas redes sociais, onde ressaltou que é casado há 16 anos e pai de duas filhas, negando ter desrespeitado ou humilhado mulheres. “Em nenhum momento ofendi ou tive a intenção de ofender a Michelle. Se o fiz em algum momento, peço desculpas”, declarou o senador, reconhecendo o trabalho de Michelle no PL Mulher e seu papel na família.
O desdobramento dessa situação revela não apenas a tensão familiar, mas também as complexas relações de poder e respeito entre as figuras políticas envolvidas, fazendo ecoar discussões sobre o tratamento das mulheres na política brasileira.



