Na manhã desta quinta-feira (28), a Operação Fluxo Oculto foi deflagrada como um desdobramento da Operação Carbono Oculto. Esta última, realizada no ano anterior, expôs as conexões do PCC, o maior grupo narcoterrorista do Brasil, com o mercado de combustíveis, instituições de pagamento e investimentos. O Ministério Público de São Paulo (MPSP) identificou que, mesmo após a Carbono Oculto, a organização criminosa continuou suas atividades ilícitas, incluindo lavagem de dinheiro e adulteração de combustíveis.
A Operação Fluxo Oculto teve como foco principal seis fintechs que atuavam em conjunto com esquemas de adulteração de combustíveis utilizando nafta, um solvente. O levantamento feito durante a Carbono Oculto revelou que o PCC utilizava esse esquema para lavar dinheiro proveniente do crime, obtendo lucros significativos na cadeia produtiva de combustíveis. O uso de fintechs facilitava a ocultação da origem dos recursos, enquanto a sonegação fiscal e a adulteração ampliavam os ganhos dos criminosos e traziam prejuízos tanto para os consumidores quanto para o Estado.
Investigadores conseguiram identificar após a Operação Carbono Oculto mais seis fintechs que funcionavam como “bancos paralelos” do PCC. Essas instituições financeiras eram parte de um núcleo financeiro robusto, utilizado para compensações financeiras internas entre distribuidoras, postos de combustíveis e fundos de investimento geridos pela organização criminosa. Além disso, serviam para pagamentos a colaboradores e para cobrir despesas pessoais dos principais operadores do esquema.
Entre 2022 e 2025, essas fintechs movimentaram mais de R$ 26 bilhões. As investigações indicaram a realização de operações suspeitas, como depósitos em espécie, prática considerada inadequada para instituições de pagamento. Também foi identificada a abertura de contas em diferentes instituições financeiras, criando uma camada adicional para ocultar as transações.
Somente uma dessas fintechs, de acordo com a Receita Federal, recebeu mais de R$ 1 bilhão em impostos supostamente sonegados entre 2022 e 2024. Os investigadores apontaram que a organização criminosa se beneficiava de vantagens tributárias na comercialização de nafta petroquímica. Por meio de empresas de fachada, o PCC simulava a compra do produto junto a empresas do setor químico, alegando destinação industrial.
Após essa simulação, a nafta era desviada para terminais de armazenamento, onde era misturada a combustíveis automotivos, resultando na adulteração do produto. O combustível adulterado era, então, transportado para postos revendedores ligados a membros do PCC. Os recursos obtidos desse esquema eram direcionados a fundos de investimento, com o objetivo de ocultar os verdadeiros beneficiários da fraude.



