A Polícia Federal (PF) acessou mensagens trocadas entre Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, e a empresária Roberta Luchsinger, que está sob investigação por suspeitas de tráfico de influência. A PF acredita que Roberta teria utilizado sua relação com o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para facilitar negócios e obter acesso ao governo.
As conversas, que foram obtidas, mostram que Lulinha e Roberta discutiam negócios e articulações envolvendo membros do governo. As mensagens sugerem que Lulinha estava ciente da atuação da lobista e até participava de reuniões sobre os interesses dela junto à administração federal. Um dos diálogos datados de 22 de março de 2024 revela Roberta afirmando a Lulinha que ambos trabalhavam em “nível diferenciado” e menciona a possibilidade de um futuro na Suíça.
Na mesma conversa, Lulinha menciona ter participado de reuniões com Marco Aurélio Santana Ribeiro, ex-chefe de gabinete de Lula, e Swedenberger Barbosa, que era secretário-executivo do Ministério da Saúde na época. Marco Aurélio, conhecido como Marcola, era um dos principais assessores do presidente e tinha contato direto com ministros. Por sua vez, Berger, dirigente histórico do PT, é apontado como responsável por facilitar o acesso do lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, ao Ministério da Saúde.
Antonio Carlos está preso pela PF desde setembro de 2025 e é investigado por sua participação em um escândalo envolvendo fraudes bilionárias em benefícios de aposentados e pensionistas do INSS. Ele também tentou negociar um contrato de fornecimento de cannabis medicinal ao Sistema Único de Saúde (SUS). Lulinha, por sua vez, está sendo investigado em três inquéritos que apuram corrupção e tráfico de influência no Ministério da Saúde, com as investigações sendo autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
A defesa de Lulinha declarou que ele reside atualmente na Espanha e atua no setor privado, sem vínculos diretos ou indiretos com o governo brasileiro. O advogado Marco Aurélio de Carvalho contestou as suspeitas e afirmou que a quebra dos sigilos fiscal e bancário do filho do presidente demonstraria a inexistência de provas ou indícios de irregularidades. "Vive de forma digna, exclusiva e modesta com o resultado do seu próprio trabalho. A quebra do seu sigilo fiscal e bancário é reveladora da ausência absoluta de qualquer prova ou indício de irregularidade", afirmou o advogado.



