O ministro Dias Toffoli se afastou da relatoria das investigações sobre o Banco Master, mas sua saída não é definitiva. Como membro da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), Toffoli pode participar de julgamentos e análises de recursos relacionados ao caso, desde que o colegiado seja acionado. Sua permanência como julgador é juridicamente viável, pois não houve uma declaração formal de suspeição ou impedimento.
A decisão de entregar a relatoria foi tomada em reunião com outros ministros do STF, que emitiram uma nota de apoio a Toffoli. O movimento visou “amenizar as críticas” e “acalmar os ânimos” em Brasília, sem que o magistrado reconhecesse qualquer conflito de interesse. O novo relator, André Mendonça, também integra a Segunda Turma, o que garante que os processos do Banco Master serão analisados pelos cinco ministros do grupo.
Atualmente, a competência para julgar inquéritos e ações penais no STF é das turmas, não do plenário. Portanto, Toffoli ainda pode votar em decisões que definirão o futuro de Daniel Vorcaro e outros investigados na Operação Compliance Zero. Uma nota oficial do STF afirmou que Toffoli atendeu a todos os pedidos da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República durante sua relatoria, considerando seu afastamento uma conveniência institucional.
A possibilidade de Toffoli continuar como julgador gera tensão no Congresso Nacional. Parlamentares da oposição afirmam que seu afastamento da relatoria é insuficiente diante de mensagens interceptadas pela PF que mencionam transações ligadas a empresas de sua família. Para os que defendem o impeachment do ministro, sua participação em julgamentos do Banco Master compromete a imparcialidade. Enquanto André Mendonça assume a gestão do caso, o tribunal busca transmitir normalidade institucional, mas o caso permanece como um ponto de desgaste para a imagem da Corte.

