O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, juntamente com representantes do Ministério das Relações Exteriores (MRE), está agendando uma reunião com o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) para dar continuidade às negociações comerciais entre Brasil e EUA. A data do encontro ainda será definida pelas equipes de ambos os governos.
Esse movimento surge após uma conversa telefônica de aproximadamente uma hora entre o presidente brasileiro Lula e o presidente norte-americano Donald Trump, realizada na manhã de sexta-feira (21). O contato, que foi descrito como cordial pelo Palácio do Planalto, incluiu a discussão sobre a importância de retomar as tratativas comerciais, com Lula destacando que as justificativas apresentadas pelos EUA para a imposição de tarifas sobre produtos brasileiros não são válidas.
Os Estados Unidos alegam que as novas tarifas estão baseadas em questões como acordos preferenciais, propriedade intelectual, combate à corrupção e importações de produtos associados a trabalho forçado. Lula enfatizou que essas tarifas impactam negativamente tanto o Brasil quanto os EUA, reiterando que o diálogo é essencial para manter a relação comercial entre os dois países.
Além das questões tarifárias, Lula e Trump também abordaram a segurança e a cooperação no combate ao crime organizado. O presidente brasileiro propôs uma colaboração mais estreita entre as nações, mencionando que as organizações criminosas afetam populações vulneráveis, mas não devem ser tratadas como organizações terroristas. Ele citou ações do Brasil que resultaram em apreensões significativas, totalizando cerca de R$ 17 bilhões, e destacou iniciativas como a Lei Antifacção e a criação do Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia, em Manaus.
Trump mostrou-se aberto a ampliar a cooperação e se comprometeu a designar membros de alto escalão para dar prosseguimento às negociações. Os presidentes também discutiram os conflitos internacionais, incluindo a guerra na Ucrânia e as tensões no Oriente Médio. Ambos concordaram sobre a importância de uma solução negociada para a crise entre Rússia e Ucrânia, e Lula criticou a inércia do Conselho de Segurança das Nações Unidas em relação a esses conflitos, sugerindo a convocação de uma reunião extraordinária para explorar alternativas diplomáticas.
Durante a conversa, Trump também mencionou as perspectivas do governo dos EUA em relação ao Irã. Ao final, Lula ressaltou a importância de buscar soluções pacíficas, afirmando que "os grandes líderes não são aqueles que iniciam guerras, mas aqueles que põem fim aos conflitos."



