A final da Copa do Mundo de 1958, realizada entre Brasil e Suécia, ficou marcada não apenas pela vitória da seleção brasileira, mas também por uma curiosidade envolvendo as camisas usadas em campo. As duas equipes estavam uniformizadas com camisas amarelas, porém, após um sorteio realizado pelos organizadores do torneio, o Brasil foi obrigado a utilizar um conjunto alternativo. O chefe da delegação, Paulo Machado de Carvalho, havia descartado a possibilidade de retornar ao uniforme branco, que ficou associado à derrota em 1950, optando, assim, por conseguir camisas azuis em caráter emergencial.
Historicamente, a narrativa mais divulgada afirmava que as camisas azuis foram adquiridas em uma loja em Estocolmo. Essa informação foi amplamente repetida por jogadores e membros da comissão técnica, como o massagista Mário Américo, ao longo das últimas décadas. No entanto, ao realizar pesquisas para o livro "1958 – o Brasil é campeão" (Letras do Pensamento), o autor começou a suspeitar da veracidade dessa versão.
Na semifinal, o Brasil venceu a França por 5 a 2 em Estocolmo no dia 24 de junho, uma terça-feira. Após a partida, Paulo Machado de Carvalho decidiu retornar à concentração em Hindas, localizada a 400 quilômetros da capital sueca. A viagem de volta para Estocolmo só ocorreu no sábado, 28 de junho, véspera da final, o que torna improvável a aquisição das camisas azuis na capital sueca nesse período.
Considerando que o sorteio foi realizado enquanto a delegação ainda estava em Hindas, o autor sugere que as camisas podem ter sido compradas em Gotemburgo, uma cidade a 60 quilômetros da concentração brasileira. Essa hipótese é reforçada pelo fato de que o Brasil já havia jogado em Gotemburgo contra equipes como a Inglaterra e a URSS, o que pode ter influenciado na escolha do local de concentração.
Recentemente, uma conversa com Cássio Brandão, conhecido colecionador de camisas históricas, levou o autor a encontrar uma informação reveladora. Documentos datados da época mencionam que a compra das camisas foi realizada no município de Boras, a apenas 30 quilômetros de Hindas. A compra foi feita com camisas azuis que tinham números amarelos, mas os escudos da CBD não estavam disponíveis, resultando na remoção dos escudos das camisas amarelas para serem aplicados nas novas.
Essa nova descoberta parece resolver um mistério que perdurava por décadas. Uma reportagem da época questionava a necessidade de adquirir novas camisas, uma vez que a CBD já possuía camisas azuis e brancas. A falta dessas camisas na delegação, no entanto, permanece sem explicação clara, deixando em aberto a questão sobre como o Brasil poderia ter evitado despesas adicionais na situação.



