A estreia das Artes Marciais Mistas (MMA) nos Jogos Asiáticos, que ocorrem atualmente no Japão, marca um momento significativo para o esporte, visando uma possível inclusão nos Jogos Olímpicos. Para essa participação, as regras foram adaptadas, permitindo que as lutas aconteçam em um tablado aberto e sem a tradicional jaula, utilizando luvas semelhantes às do boxe. Essa mudança busca alinhar o MMA aos ideais olímpicos, , diretor-geral da Federação de Artes Marciais Mistas Internacional (FIMMA).
"Achamos que, sem a jaula, estamos mais alinhados aos Jogos Olímpicos e, assim, mais próximos de sermos reconhecidos pelo Comitê Olímpico Internacional", afirmou Tan. A presença da modalidade nos Jogos Asiáticos é um marco, mas também reflete a intenção de aproximar o MMA da grande vitrine olímpica. A FIMMA não é a única entidade que busca representar o MMA internacionalmente; a Federação Internacional de Artes Marciais Mistas (IMMAF) também almeja participação nos Jogos Olímpicos.
Atualmente, o Comitê Olímpico Internacional (COI) não reconhece uma Federação Internacional responsável pelo MMA, o que impede sua inclusão no programa olímpico. Enquanto isso, Gordon Tang, um bilionário do setor imobiliário, ocupa a vice-presidência do Conselho Olímpico da Ásia e preside a FIMMA, o que pode facilitar a aproximação da modalidade com o movimento olímpico, que historicamente mantém uma certa distância do MMA devido a preocupações com a violência associada.
A FIMMA e a IMMAF não comentaram sobre o assunto até o fechamento desta reportagem. No passado, o Ultimate Fighting Championship (UFC) também apoiou a ideia de inclusão do MMA nos Jogos Olímpicos. Contudo, o jornalista Karim Zidan observa que a conexão entre o MMA e governos autoritários tem se tornado mais frequente, o que gera preocupações sobre o futuro do esporte nesse contexto.
Zidan ressalta que o MMA já teve relações com regimes autoritários e que essa associação pode se intensificar. Ele acredita que a estreia nos Jogos Asiáticos, assim como uma eventual aceitação nos Jogos Olímpicos, poderá levar ao aumento de competições amadoras e campeonatos juvenis, atraindo o interesse de governos autoritários.
O desafio para a FIMMA é distanciar a imagem do MMA do espetáculo promovido pelo UFC e torná-lo mais parecido com os esportes convencionais. Alex Engelhardt, vice-presidente da FIMMA, admite que é uma tarefa complexa, já que a mentalidade do esporte ainda gira em torno de promoções e eventos comerciais. Mesmo que essa mudança ocorra, a inclusão da modalidade nos Jogos Olímpicos ainda parece um objetivo distante.



