A recente vitória de Abelardo de la Espriella nas eleições na Colômbia representa um avanço significativo para a agenda diplomática do presidente Donald Trump na América Latina. Essa mudança política ocorre em um momento em que Trump enfrenta desafios em outras regiões, como o Oriente Médio e a Europa. Desde seu retorno à Casa Branca, há um ano e meio, países como Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador e Honduras têm se movimentado em direção à direita ou reafirmado uma postura conservadora já existente.
A lista de líderes que emergem alinhados à direita inclui Javier Milei, na Argentina; Rodrigo Paz Pereira, na Bolívia; José Antonio Kast, no Chile; e Laura Fernández Delgado, na Costa Rica. Embora Gustavo Petro continue como presidente da Colômbia, a vitória de De la Espriella indica uma mudança no cenário político. No Equador, Daniel Noboa e, em Honduras, Nasry Asfura também se destacam como representantes desse novo alinhamento.
A política dos Estados Unidos parece agora focar em Cuba, onde um bloqueio petrolífero quase total forçou o governo comunista a adotar reformas econômicas com urgência. Essa abordagem não gerou grandes reações de países como México e Brasil, que são considerados os últimos bastiões da esquerda na região. O governo colombiano de Gustavo Petro, prestes a deixar o cargo, também não se mostrou resistente às novas diretrizes.
Rebecca Bill Chavez, presidente do Diálogo Interamericano, destaca que Abelardo de la Espriella “fala a linguagem que muitos Em Washington querem ouvir: mais linha dura”. Essa nova postura é vista como uma oportunidade para que a Colômbia se una à aliança Escudo das Américas, fundada por Trump junto com presidentes aliados em março deste ano, após uma operação militar contra o governo de Nicolás Maduro em Caracas.
Evan Ellis, especialista do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, prevê uma maior colaboração da Colômbia em ações contra grupos considerados terroristas, ampliando a cooperação além das fronteiras nacionais. As tensões anteriores entre os presidentes do Equador e da Colômbia, relacionadas a operações antidrogas, parecem ser superadas com a nova orientação política, que alinha De la Espriella e Noboa em um mesmo projeto.
A mudança ideológica na América Latina vai além da influência de Trump. Debates na Organização dos Estados Americanos demonstram que a região está reavaliando a forma como encara o crime organizado e a pressão migratória, o que foi crucial para a vitória de José Antonio Kast no Chile. A solidariedade histórica em relação a Cuba, por exemplo, está em declínio, com a região se distanciando de posturas mais liberais.



