O empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master e envolvido em um dos maiores escândalos financeiros do Brasil, apresentou uma nova proposta de delação premiada na última segunda-feira (1º). A iniciativa surge após a primeira tentativa de acordo ter sido rechaçada pela Polícia Federal (PF), que considerou as informações fornecidas anteriormente insuficientes em relação às evidências já coletadas.
Após a negativa tanto da PF quanto da Procuradoria-Geral da República (PGR) em assinar um acordo que possibilitasse a redução da pena e facilitasse a devolução de valores desviados, a defesa de Vorcaro optou por uma nova proposta mais substancial. O foco é apresentar dados sobre suas relações com agentes políticos e, possivelmente, com ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
A nova delação pode incluir informações sobre o financiamento do filme "Dark Horse", que aborda a eleição de 2018 e a vitória do ex-presidente Jair Bolsonaro. Fontes indicam que Vorcaro mencionou a insistência do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à presidência, em relação aos repasses financeiros para a produção do filme. Documentos e mensagens divulgados pelo portal The Intercept Brasil revelaram que o empresário teria negociado um financiamento de até R$ 134 milhões, dos quais pelo menos R$ 60 milhões já teriam sido repassados para a realização da cinebiografia.
Nas semanas recentes, Vorcaro havia hesitado em ampliar sua proposta de delação, justificando que as contribuições financeiras a políticos eram fruto de relações de amizade. Contudo, agora há a expectativa de que ele revele detalhes adicionais sobre vínculos financeiros entre o Banco Master e ministros do STF, incluindo Dias Toffoli e Alexandre de Moraes.
A equipe do procurador-Geral da República, Paulo Gonet, demonstrou uma postura mais receptiva em avançar nas negociações, ao passo que a PF manteve sua posição contrária à proposta inicial. A PGR estabeleceu um prazo para que a nova proposta fosse aprimorada, levando a PF a reavaliar essa tentativa de delação.
Daniel Vorcaro encontra-se detido desde março, em cumprimento a uma ordem do ministro do STF André Mendonça, sob suspeita de obstruir investigações ao contratar influenciadores e por supostamente manter uma milícia armada para intimidar opositores e coletar documentos relacionados a investigações em andamento. Seu pai, Henrique Vorcaro, TAMBÉM foi preso por suspeita de envolvimento em pagamentos a integrantes dessa milícia.



