A Terra, frequentemente imaginada como uma esfera perfeita, apresenta na realidade uma superfície irregular, conforme revela um novo modelo 3D divulgado pela Nasa. A representação, que exagera as imperfeições do planeta, foi elaborada com base em dados coletados por satélites ao longo de 15 anos, totalizando mais de um bilhão de observações.
Para tornar visíveis as pequenas variações no campo gravitacional terrestre, as irregularidades foram ampliadas na visualização. Na prática, essas alterações representam apenas diferenças de algumas dezenas de metros. O modelo é fundamentado no conceito de geóide, utilizado por cientistas para ilustrar como seria a forma da Terra se estivesse totalmente coberta por água em equilíbrio, levando em consideração apenas os efeitos da gravidade e da rotação.
Especialistas caracterizam o formato do planeta como semelhante a uma “batata”, devido a elevações e depressões causadas pela distribuição desigual de massa. Apesar dessas irregularidades, a Terra mantém uma forma aproximadamente esférica, com um ligeiro achatamento nos polos e um diâmetro maior na região do equador.
O conhecimento de que a Terra não é plana remonta a milhares de anos. Durante a Grécia Antiga, estudiosos realizavam observações de sombras durante o solstício de verão, analisavam a posição das estrelas e identificavam a sombra circular do planeta projetada na Lua durante eclipses para calcular suas medidas.
Atualmente, a geodésia é a área da ciência que investiga essas características da Terra, medindo sua forma, campo gravitacional e movimentos. Com o uso de satélites e sistemas como o GPS, os pesquisadores conseguem calcular as dimensões do planeta com precisão de até centímetros.
Ainda que o formato de elipsóide — uma esfera levemente achatada — não represente totalmente a complexidade da Terra, é importante ressaltar que o planeta está em constante transformação, influenciado por movimentos internos, rotação e forças naturais que atuam em sua superfície.



