A formação dos cidadãos em uma sociedade é influenciada por diversos fatores, entre eles a escola e a família. No entanto, as instituições são as verdadeiras responsáveis por moldar o caráter de um país. Embora não ocupem salas de aula ou façam discursos, elas ensinam de forma profunda, premiando certos comportamentos e desestimulando outros. Essa pedagogia silenciosa tem um impacto significativo no futuro de um Estado.
Um princípio fundamental da vida em sociedade é que pessoas, empresas e governos reagem a incentivos. Com o tempo, comportamentos que oferecem mais recompensa tornam-se considerados normais. O esforço se desenvolve quando é recompensado, e a inovação prospera em um ambiente onde assumir riscos é visto como uma oportunidade, não como uma ameaça. Quando as instituições criam um ambiente favorável, o investimento e a produção de riqueza se tornam mais atrativos do que a busca por privilégios.
Por outro lado, quando o privilégio gera mais retorno que o mérito, e a proximidade do poder se mostra mais vantajosa do que a conexão com o cliente, esses comportamentos se tornam comuns e se transformam em cultura. O Brasil, em particular, tem enfrentado desafios nesse aspecto. Durante anos, o país criou um cenário onde a proximidade do Estado frequentemente oferece retornos superiores àquela obtida no mercado.
Em vez de recompensar a produtividade, a inovação e a competição, o sistema muitas vezes premiou a proteção e a influência. Além disso, a complexidade do sistema tributário e a insegurança jurídica impuseram constantes adaptações àqueles que produzem. Essa pedagogia institucional impacta toda a sociedade, reduzindo o crescimento econômico e dificultando o investimento e a inovação.
A política tende a priorizar resultados imediatos, enquanto a prosperidade exige uma visão de longo prazo. Esse desencontro entre as expectativas de tempo pode levar sociedades a desperdiçar seu futuro, perpetuando ciclos de estagnação. As instituições moldam comportamentos, e esses comportamentos, ao longo das gerações, também remodelam as instituições, criando círculos virtuosos ou viciosos.
A definição de um país não se dá apenas pelos discursos que faz sobre si mesmo, mas sim pelas ações que considera normais. Essa pedagogia institucional é caracterizada não apenas pelo que se diz, mas principalmente pelo que se recompensa. Dessa forma, toda sociedade acaba ensinando aquilo que decide valorizar.



