Um levantamento aponta que 173 pessoas foram vítimas de deepfakes sexuais em escolas públicas e privadas em dez estados do Brasil. As vítimas são exclusivamente mulheres, incluindo tanto alunas quanto professoras, com a maior concentração em São Paulo (51), Mato Grosso (30), Pernambuco (30) e Rio de Janeiro (20). Além disso, foram identificados 60 autores do tipo de crime.
A tecnologia de inteligência artificial é usada para criar imagens ou vídeos falsos de nudez sem o consentimento das pessoas retratadas. Esses conteúdos violam a privacidade e a dignidade das vítimas, configurando-se como crime cibernético. O estudo foi iniciado em 2023 e revela que denúncias desse tipo de crime cresceram 28% no último ano.
A Central Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos analisou 264 links enviados desde 2023, sendo que 125 continham imagens reais de abuso sexual infantil. Outros 21 links se relacionavam a deepfakes envolvendo adultos e 20 casos de vazamento de imagens íntimas não manipuladas por IA também foram registrados. A organização aponta que 8% das URLs continham conteúdo artificial de abuso ou exploração sexual de crianças.
Para combater a disseminação dos deepfakes, os grupos criminosos atuam com suporte de bots de notificação, plataformas como o Telegram e fóruns na dark web. A entidade recomenda o banimento dessas ferramentas de alerta e a adoção de medidas para sufocar financeiramente as redes envolvidas, além de continuar recebendo denúncias de forma anônima.

