Fernanda da Costa Gouvea desapareceu em 2018
Uma ossada humana que pode ser de Fernanda da Costa Gouvea, desaparecida desde 2018, foi localizada nesta quinta-feira, dia 24 de setembro, em uma área rural de Cerro Azul, cidade da Região Metropolitana de Curitiba. O local foi indicado à Polícia Civil pelo homem que vivia com ela na época do desaparecimento e que atualmente está preso.
A localização dos restos mortais representa um avanço na investigação, que permaneceu sem resposta durante oito anos. A confirmação da identidade, no entanto, ainda depende dos exames realizados pela Polícia Científica do Paraná.
O caso é investigado pela Delegacia de Polícia de Cerro Azul, sob responsabilidade do delegado Gabriel Girardi. Segundo a investigação, os elementos reunidos ao longo dos anos apontam para a possibilidade de homicídio qualificado seguido de ocultação de cadáver.
Fernanda da Costa Gouvea desapareceu quando vivia com o companheiro em uma propriedade na zona rural do município. Na época, o homem era conhecido por nomes diferentes, entre eles “Anderson” e “Everton”.
Segundo a investigação, a polícia descobriu posteriormente que ele utilizava uma identidade falsa. O homem tinha antecedentes criminais e era procurado pela Justiça por uma condenação relacionada a um homicídio cometido em Guaratuba, no litoral do Paraná, em 2010.
Conforme documentos do processo, a vítima desse crime, Antônio Dias do Rosário, foi encontrada morta dentro de uma residência. O homem estava com mãos, pés e boca amarrados e apresentava ferimentos provocados por golpes de faca.
Ainda de acordo com os autos, o suspeito admitiu, durante interrogatório extrajudicial, ter golpeado Antônio com uma faca e atingido a cabeça dele com um tijolo. A condenação pelo crime transitou em julgado em 2015.
As informações sobre o passado do homem passaram a integrar a investigação sobre o desaparecimento de Fernanda da Costa Gouvea depois que a polícia identificou que ele havia utilizado outro nome.
Familiares ouvidos durante as apurações relataram que tinham medo do companheiro da mulher. Segundo os depoimentos, ele teria procurado pessoas ligadas à família depois do desaparecimento para saber se alguém havia fornecido informações à polícia.
Também foi relatado que Fernanda da Costa Gouvea dizia que o companheiro era procurado pela Justiça e não poderia ser localizado pelas autoridades.
Antes do desaparecimento, ainda segundo a investigação, Fernanda da Costa Gouvea teria sido agredida pelo companheiro durante uma discussão dentro de casa. Depois da agressão, uma das crianças que estava no imóvel teria sido obrigada a limpar o sangue deixado pela mãe.
O comportamento do homem também chamou a atenção dos investigadores após o desaparecimento. Pouco tempo depois, ele teria afirmado que iria até Curitiba para procurar Fernanda da Costa Gouvea, levando consigo um dos filhos dela, que não era seu filho biológico, e deixando a criança aos cuidados de terceiros.
Durante uma abordagem policial em Curitiba, o homem teria novamente apresentado o nome falso. Segundo a Polícia Civil, quando foi informado de que seria submetido à identificação formal, ele admitiu que utilizava outra identidade e acabou preso.
Enquanto já estava detido por outro processo, a investigação sobre o desaparecimento de Fernanda da Costa Gouvea avançou. A Polícia Civil conseguiu obter um mandado de prisão preventiva relacionado ao caso, mas o suspeito já cumpria pena na Colônia Penal Agrícola, em regime semiaberto.
Durante o cumprimento do novo mandado, segundo a investigação, ele fugiu, mas foi localizado e recapturado no mesmo dia por agentes do Departamento de Polícia Penal.
Posteriormente, o homem foi levado para prestar esclarecimentos sobre o desaparecimento de Fernanda da Costa Gouvea. Ele não confessou ter matado a mulher, mas, de acordo com a Polícia Civil, decidiu colaborar com a investigação e indicou o local onde os restos mortais teriam sido deixados.
A informação levou policiais civis e peritos da Polícia Científica até uma área indicada pelo investigado. A ossada foi localizada na quinta-feira, dia 24 de setembro.
Agora, os restos encontrados passarão por exames periciais para determinar a identidade e verificar possíveis sinais relacionados à causa da morte. Outros vestígios encontrados na área também deverão ser analisados.
A polícia ainda não considera o caso totalmente esclarecido. A confirmação de que a ossada pertence a Fernanda da Costa Gouvea e a definição da dinâmica do desaparecimento dependem dos resultados da perícia e da análise das demais provas reunidas durante a investigação.
O delegado Gabriel Girardi afirmou que chamou a atenção a maneira como o investigado teria tratado o caso durante a indicação do local.
Segundo o delegado, a postura demonstrada pelo homem contrastaria com a gravidade do desaparecimento e com os anos em que a família permaneceu sem informações sobre Fernanda da Costa Gouvea .
A Polícia Civil continua analisando os elementos reunidos desde 2018 para esclarecer as circunstâncias do desaparecimento, a eventual participação do investigado na morte e a forma como o corpo teria sido ocultado.
A identificação oficial da vítima será definida após a conclusão dos exames da Polícia Científica. Até lá, a investigação trata os restos encontrados como sendo possivelmente de Fernanda da Costa Gouvea.
A Polícia Civil do Paraná mantém o delegado Gabriel Girardi à frente da Delegacia de Cerro Azul. A unidade também tem atuado em outras investigações e cumprimentos de mandados na região ao longo de 2026.
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