O pastor Lúcio Barreto Júnior, popularmente conhecido como Pastor Lucinho, foi condenado a pagar uma multa de R$ 150 mil em razão de comentários feitos durante um culto em 2024, que envolviam sua filha de 11 anos. Em sua pregação, Lucinho declarou que teria beijado a criança enquanto estava distraída e fez menções a frases como “nossa, que mulherão” e “ai se eu te pego”. A intenção do pastor, segundo ele, era fazer uma referência a um futuro namorado da jovem, afirmando que ele seria “o segundo”.
A condenação foi proferida pela Justiça de Minas Gerais e inclui também a Igreja Batista da Lagoinha, do qual Lucinho é pastor. A decisão foi publicada na segunda-feira (5) pela 17ª Vara Cível da Comarca de Belo Horizonte e acata uma denúncia apresentada pelo Ministério Público de Minas Gerais. O órgão considerou que as declarações do pastor constituíam uma “consubstância odiosa de posse, dominação patriarcal e objetificação do corpo feminino”.
Nascido em Belo Horizonte no dia 25 de outubro de 1971, Lucinho se converteu aos 11 anos, enquanto morava com sua família em Governador Valadares. Após ingressar na Igreja Batista Missionária em 1992, ele passou um tempo nos Estados Unidos ajudando na igreja do pastor Benny Hinn. Lucinho é graduado em Teologia Ministerial pelo Seminário Teológico Evangélico do Brasil e possui Mestrado em Teologia pela Faculdade Teológica Sul-Americana. Ao longo de sua carreira, publicou cerca de 40 livros e é pastor na Igreja Batista Lagoinha.
A defesa do pastor expressou perplexidade em relação à decisão judicial, afirmando que as falas foram retiradas de contexto e que ocorreram durante uma pregação de mais de 40 minutos. De acordo com a Nota da Defesa, recursos serão apresentados na expectativa de reverter o veredito.
Além disso, a defesa sustentou que o episódio ocorreu em 2011 e que foi uma brincadeira com os filhos, sem conotação sexual. A filha de Lucinho também se manifestou publicamente, afirmando não ter sofrido qualquer tipo de abuso e gravou um vídeo para defender o pai. No entanto, a juíza Miriam Vaz Chagas destacou que o depoimento da filha não elimina a ilicitude coletiva das declarações feitas, ressaltando que a Ação Civil Pública visava proteger os direitos de todas as mulheres afetadas pelo discurso do pastor.
A Jovem Pan tentou contato com a Igreja Batista da Lagoinha para obter um posicionamento sobre a decisão, mas não houve resposta até o momento.



