Curitiba e a Região Metropolitana devem enfrentar um aumento no risco de temporais, chuvas intensas, alagamentos e rajadas de vento com o fortalecimento do El Niño, que poderá atingir intensidade forte ou muito forte nos próximos meses. De acordo com projeções da NOAA (Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos) e análises do Simepar (Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná), o fenômeno deve alcançar o pico entre outubro e dezembro de 2026, período em que os impactos costumam ser mais intensos sobre o Sul do Brasil.
Embora as regiões Oeste e Sudoeste do Paraná devam registrar os maiores volumes de chuva, a Região Metropolitana de Curitiba também está entre as áreas com previsão de precipitações acima da média histórica. A expectativa é de maior frequência de temporais acompanhados por raios, ventos fortes, granizo e acumulados elevados de chuva em curtos períodos, aumentando o risco de enchentes, enxurradas, alagamentos e deslizamentos de terra.
Segundo o Simepar, eventos de El Niño com intensidade forte favorecem a formação de sistemas convectivos de mesoescala, fenômenos atmosféricos capazes de provocar tempestades severas, elevada incidência de descargas elétricas, rajadas de vento e queda de granizo.
As projeções indicam que o fenômeno continuará ganhando força durante o inverno, atingindo sua máxima intensidade entre a primavera de 2026 e o verão de 2027. Os modelos climáticos apontam mais de 80% de probabilidade de o evento alcançar intensidade forte ou muito forte.
O El Niño é provocado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, alterando a circulação atmosférica em diversas partes do planeta. Quando a temperatura da superfície do mar supera 2°C acima da média histórica, o episódio passa a ser classificado como um Super El Niño, condição que potencializa a ocorrência de eventos climáticos extremos.
Além do aumento das chuvas no Sul do país, o fenômeno deve provocar calor acima da média e redução das precipitações no Centro-Oeste, tempo mais seco e maior risco de queimadas na Região Norte, além de temperaturas elevadas e diminuição das chuvas no Nordeste.
No Paraná, os especialistas alertam que o fortalecimento do sistema pode resultar em temporais mais frequentes, enchentes, alagamentos urbanos, deslizamentos de terra, ventos intensos, queda de granizo e alta incidência de raios. Durante o inverno, os períodos de estiagem tendem a ser mais curtos, enquanto a primavera poderá registrar episódios prolongados de chuva.
Na agricultura, o aumento da umidade pode beneficiar algumas culturas, mas também elevar o risco de doenças fúngicas, atrasar o plantio e a colheita, comprometer a qualidade dos grãos e favorecer processos de erosão do solo.
Apesar das tendências climáticas para os próximos meses, o Simepar ressalta que previsões sazonais não substituem o acompanhamento diário das condições meteorológicas, já que a ocorrência de cada evento depende da atuação de frentes frias, áreas de baixa pressão e outros sistemas atmosféricos.
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