A Polícia Civil do Distrito Federal encontrou um cofre com R$ 15 mil em espécie na casa de um policial aposentado, alvo de uma investigação sobre espionagem ilegal. O suspeito ocupa um cargo comissionado em uma estatal distrital e utilizava credenciais institucionais para extrair informações sigilosas de bancos de dados públicos, abastecendo uma empresa privada de inteligência.
A Delegacia de Repressão à Corrupção (DRCor) batizou a operação de Nexus Fractus, que refere-se à quebra de confiança. Durante a ação, foram cumpridas três ordens de busca para mapear a extensão do vazamento de dados sensíveis. O esquema se utilizava de acordos de cooperação técnica para acessar sistemas restritos, incluindo arquivos da própria corporação policial.
O monitoramento clandestino afetou uma ampla gama de alvos no Distrito Federal, abrangendo empresários, jornalistas, servidores de alto escalão e funcionários de gabinetes de deputados e senadores. A rede de vigilância ilegal também alcançou parentes dessas autoridades e pessoas próximas ao Executivo local.
A principal suspeita é que o investigado tenha transformado o acesso a dados públicos em mercadoria para sua firma de investigação. Os agentes agora buscam consolidar provas do uso comercial desses prontuários e verificar se houve repasse de informações a terceiros. A PCDF afirma que a ação visa proteger a integridade dos bancos de dados estatais e punir desvios de finalidade por parte de quem possui senhas privilegiadas.

