O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, expressou sua intenção de realizar uma intervenção na empresa Transunião, dependendo da autorização da Justiça. Em uma conversa, Nunes destacou que a administração municipal está à espera do acesso à decisão judicial proveniente da Operação Última Parada para determinar as ações que poderão ser implementadas em relação à empresa de ônibus. "Estamos aguardando a decisão do juiz para verificar o teor. Se não tiver nada que impeça eu fazer a intervenção, farei", afirmou.
O prefeito também enfatizou que a prioridade da gestão é minimizar quaisquer impactos na prestação dos serviços de transporte público. Nunes garantiu que a administração municipal tomará as medidas necessárias para assegurar o pagamento de funcionários e fornecedores, visando a manutenção da operação normal do sistema. A Transunião, por sua vez, é responsável por 50 linhas de ônibus na capital, operando com 653 veículos, sendo que 538 estão ativos. A empresa transporta aproximadamente 262 mil passageiros em dias úteis, realizando cerca de 9,2 mil viagens programadas diariamente, distribuídas em três garagens.
O contrato principal da Transunião refere-se ao lote D3, localizado na Zona Leste de São Paulo, que abrange 39 linhas, 492 ônibus cadastrados e 425 veículos em operação. Este lote atende cerca de 212 mil passageiros por dia e realiza 8 mil viagens programadas. A remuneração acumulada da empresa desde 2019 alcança R$ 1,9 bilhão, com uma previsão de R$ 328 milhões para 2025.
Em relação ao lote D7, situado na Zona Sudeste, a concessionária opera 11 linhas, com 161 ônibus cadastrados e 113 em operação, atendendo cerca de 50 mil passageiros por dia e realizando 1,2 mil viagens diárias. De acordo com a gestão municipal, a remuneração total recebida pela Transunião entre 2019 e 2026 é de R$ 2,4 bilhões, com uma expectativa de R$ 436 milhões para 2025.
A Operação Última Parada acontece um pouco mais de um ano após a Operação Fim da Linha, que foi deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado em 2024. Naquela ocasião, o Ministério Público de São Paulo havia anunciado a desarticulação de organizações criminosas que utilizavam empresas de transporte coletivo para a lavagem de dinheiro. Na época, as empresas UPBus e Transwolff também foram alvo de intervenções por parte da Prefeitura de São Paulo.



