A primeira semana completa da primavera deve ser marcada por uma mudança significativa no tempo na Região Sul do Brasil. Um sistema de baixa pressão deve se organizar nos próximos dias e favorecer a formação de um ciclone extratropical, acompanhado de uma frente fria, com possibilidade de chuva intensa, granizo e rajadas de vento.
A instabilidade começa a ganhar força neste sábado, dia 26 de setembro, com o avanço de áreas de chuva pelo Sul. A previsão indica que o sistema deve se aprofundar entre domingo, 27, e terça-feira, 29, enquanto a formação do ciclone extratropical é esperada para quarta-feira, 30.
O Rio Grande do Sul deve concentrar os maiores volumes de precipitação, mas a frente fria também deve avançar por Santa Catarina e pelo Paraná. O sistema poderá provocar temporais em diferentes áreas dos três estados.
No Paraná, as instabilidades devem atingir principalmente as regiões próximas às divisas com Santa Catarina e Rio Grande do Sul, além do Oeste e do Sudoeste, dependendo da trajetória do sistema. Curitiba e a Região Metropolitana também poderão ter períodos de chuva e queda temporária das temperaturas com a passagem da frente fria.
A formação do ciclone ocorre em um momento em que o Paraná já apresenta um cenário climático influenciado pelo El Niño. O fenômeno está se fortalecendo no Pacífico Equatorial e deve atingir intensidade forte a muito forte entre a primavera e o início do verão.
Segundo o Simepar, a primavera paranaense deve ter chuva acima da média até dezembro. O efeito tende a ser mais acentuado no Oeste, Sudoeste e Centro-Sul em novembro e na faixa oeste em dezembro.
O El Niño não significa que haverá chuva todos os dias. O fenômeno altera os padrões de circulação atmosférica e aumenta a probabilidade de períodos com precipitação acima da média, intercalados com intervalos de tempo mais seco.
Com o aumento do calor e da umidade disponíveis na atmosfera, cresce também a quantidade de energia disponível para a formação de tempestades. A combinação com frentes frias e áreas de baixa pressão pode favorecer episódios de chuva volumosa, raios, granizo e ventos fortes.
No Rio Grande do Sul, os maiores acumulados previstos para este episódio devem ocorrer na Campanha e em outras áreas do estado. Há possibilidade de volumes elevados em períodos curtos, aumentando o risco de alagamentos e outros transtornos.
Santa Catarina também deverá receber chuva forte, principalmente durante a passagem da frente fria. No Paraná, a distribuição da chuva dependerá da trajetória do sistema e da formação das áreas de instabilidade.
Além da chuva, a passagem da frente fria aumenta o risco de granizo e rajadas de vento. Eventos como microexplosões e tornados isolados são fenômenos possíveis em ambientes de tempestade severa, mas sua ocorrência não pode ser determinada com vários dias de antecedência.
O Simepar ressalta que a primavera, por sua própria característica, já apresenta aumento na frequência de tempestades, com possibilidade de raios, granizo, ventos fortes e chuva volumosa. O cenário associado ao El Niño aumenta a disponibilidade de calor e umidade e pode intensificar essas condições.
A passagem de frentes frias não significa que o restante da primavera será marcado pelo frio. A tendência climática aponta para temperaturas dentro ou ligeiramente acima da média em outubro e acima da média em novembro e dezembro no Paraná.
O inverno de 2026 já terminou com temperaturas e chuvas acima da média em várias áreas do Paraná, segundo o balanço do Simepar. O cenário de aquecimento tende a continuar durante a primavera, embora massas de ar frio ainda possam provocar quedas temporárias nas temperaturas.
Em Curitiba e na Região Metropolitana, isso deve resultar em uma primavera marcada pela alternância entre períodos de calor, passagens de frentes frias e episódios de chuva. Os dias mais quentes tendem a se tornar mais frequentes à medida que a estação avança, mas mudanças rápidas de temperatura continuarão ocorrendo.
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) também prevê chuva acima da média para a Região Sul durante a primavera. Para o sul e o leste do Paraná, os acumulados do trimestre podem superar a média histórica em até 200 milímetros.
No restante do Sul, o comportamento deve ser semelhante, embora com diferenças regionais. O Rio Grande do Sul aparece entre as áreas com maior sinal de aumento das precipitações, enquanto Santa Catarina também deve permanecer sob influência de um cenário mais chuvoso.
A combinação entre El Niño, calor, umidade e passagem de sistemas frontais coloca a Região Sul em um período de maior atenção para eventos extremos.
A previsão, porém, precisa ser atualizada conforme os sistemas se aproximam, principalmente para definir com maior precisão os locais que poderão registrar os maiores volumes de chuva e as rajadas mais fortes.
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