A abertura da Expodireto Cotrijal 2026, em Não-Me-Toque (RS), incluiu um protesto de produtores rurais na manhã desta segunda-feira, 9. Agricultores realizaram um "cortejo fúnebre" simbólico, intitulado "Luto pelo Agro", com cruzes pretas e um caixão, para expor as dificuldades financeiras enfrentadas pelo setor. A mobilização denunciou também os 36 produtores que tiraram a própria vida devido ao endividamento no campo.
O ato teve início às 6h30, com os manifestantes percorrendo aproximadamente seis quilômetros até o parque da feira, localizado às margens da RS-142. Durante a exposição, o deputado federal Luciano Zucco (PL-RS) fez um discurso ao lado do vice-governador do Rio Grande do Sul, Gabriel Souza, e do senador Luis Carlos Heinze, criticando a falta de atenção dos governantes em relação ao agro no Brasil, especialmente no estado.
Os organizadores da mobilização buscaram chamar a atenção para a situação crítica dos produtores gaúchos, que enfrentam dificuldades após perdas sucessivas de safra e aumento nos custos de produção. O presidente da Associação dos Produtores e Empresários Rurais (Aper), Arlei Romeiro, destacou que as variações climáticas podem levar ao endividamento e ressaltou a necessidade de cumprimento das garantias legais que permitem a prorrogação de dívidas.
Romeiro mencionou que o Projeto de Lei 320, que visa a securitização das dívidas, está parado na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado. Os produtores também reivindicam o PL 5122/23, que possibilita a renegociação das dívidas com prazos mais longos e recursos do Fundo Social do Pré-sal. O presidente da Expodireto Cotrijal, Nei César Manica, expressou solidariedade aos agricultores, afirmando que a feira serve como uma plataforma para os problemas do setor chegarem às autoridades competentes.

