Milhares de pessoas participaram de protestos organizados por jovens da geração Z em 34 cidades da Alemanha no sábado (31). As manifestações, convocadas contra o aumento do custo de vida, as condições do sistema educacional e o serviço militar obrigatório, foram majoritariamente pacíficas, segundo as autoridades. Em Frankfurt, porém, manifestantes encapuzados saquearam ao menos duas lojas, depredaram estabelecimentos comerciais e lançaram coquetéis molotov contra equipes de emergência.
Os atos foram organizados pelo movimento Gen Z regelt, expressão alemã que pode ser traduzida como "a geração Z assume o controle". As mobilizações ocorreram em cidades como Berlim, Munique e Frankfurt, com reivindicações por maiores investimentos em educação, saúde e serviços públicos. O movimento também critica o aumento dos gastos militares e as políticas econômicas do governo do chanceler Friedrich Merz.
Em Frankfurt, centro financeiro da Alemanha, a violência se intensificou durante a noite. Segundo uma testemunha ouvida pela Reuters, pelo menos duas lojas foram saqueadas e outros estabelecimentos sofreram danos enquanto a polícia tentava controlar os distúrbios. As autoridades recomendaram que moradores e visitantes evitassem a região central da cidade. "Os distúrbios violentos continuam", informou a polícia de Frankfurt em uma publicação no X. "No centro da cidade, vitrines de várias lojas foram quebradas. Coquetéis molotov também estão sendo lançados contra equipes dos serviços de emergência. Pedimos a todos que evitem o centro da cidade ou deixem a região." Em Hamburgo, manifestantes incendiaram barricadas. Apesar dos incidentes, as autoridades alemãs afirmaram que a maior parte das manifestações ocorreu sem confrontos. O governo também alertou para a possibilidade de grupos extremistas se aproveitarem das mobilizações para promover atos de violência.
Os organizadores esperavam reunir até 182 mil pessoas em todo o país, mas os primeiros balanços policiais indicaram participação inferior à estimativa. Em Frankfurt, Munique e Berlim, as autoridades contabilizaram até 18 mil manifestantes, enquanto o site do movimento informava aproximadamente 36 mil participantes nessas três cidades. Antes dos atos, milhares de policiais foram mobilizados para acompanhar as manifestações, realizadas no mesmo dia das comemorações de Halloween. Comerciantes adotaram medidas preventivas diante do receio de depredações, incluindo a instalação de tábuas para proteger vitrines e o fechamento antecipado de estabelecimentos. Na avenida Kurfürstendamm, uma das principais áreas comerciais de Berlim, algumas lojas reforçaram a segurança.
O Ministério do Interior alemão informou que integrantes de grupos de extrema esquerda e de organizações extremistas estrangeiras tentaram ampliar sua presença nas manifestações. O ministro do Interior do estado de Hesse, Roman Poseck, manifestou preocupação com a possibilidade de episódios semelhantes aos registrados recentemente na França. "Todos temos na memória as imagens da França: saques, casas incendiadas, viaturas policiais queimadas e ataques a policiais", afirmou Poseck. "A França não deve ser vista como um modelo nesse aspecto." Durante a manifestação em Berlim, a porta-voz do Gen Z regelt, Lina Friedrich, afirmou que o movimento busca mudanças nas prioridades do governo alemão, especialmente nas áreas de educação e saúde. Os organizadores também se opõem à obrigatoriedade do serviço militar e defendem uma distribuição mais equilibrada dos custos das políticas públicas. "Estamos aqui hoje para lutar pela paz e pela liberdade, e não pela guerra e pela coerção", declarou Friedrich. "O que mais importa para nós é ampliar o apoio aos sistemas de saúde e educação. Somos contra o serviço militar obrigatório e a favor de uma distribuição mais justa dos encargos." Em Munique, um manifestante identificado como Steve, de 18 anos, criticou a resposta do governo às reivindicações dos jovens. "O governo não deu nenhuma resposta às nossas preocupações, a não ser continuar fazendo cortes e nos sobrecarregando ainda mais", afirmou, em referência à administração de Friedrich Merz. "Continuaremos a exercer nosso direito fundamental de reunião até que parem de nos ignorar", acrescentou.



