Quatro desembargadores do Tribunal de Justiça do Maranhão, afastados por suspeita de participação em organização criminosa, acumularam R$ 627 mil em salários líquidos no último trimestre de 2025. Os magistrados Antonio Pacheco Guerreiro Júnior, Luiz Gonzaga Almeida Filho, Marcelino Everton Chaves e Nelma Celeste Sousa Silva Sarney Costa não atuam no Palácio Clóvis Beviláqua, em São Luís, desde outubro de 2024.
Eles continuam recebendo vencimentos que ultrapassam o limite fixado pela Constituição, de R$ 46.366,19 brutos, sem que o tribunal tenha esclarecido até o momento as remunerações pagas. O pagamento aos desembargadores afastados ocorre em um estado com alta concentração de extrema pobreza, onde 8,4% da população — cerca de 560 mil pessoas — vive com menos de R$ 200 mensais e mais da metade em situação de pobreza, com renda de até R$ 637 por mês.
Entre novembro e janeiro, os desembargadores afastados receberam médias elevadas, com dezembro sendo o mês que mais beneficiou Guerreiro Júnior, Luiz Gonzaga e Nelma Celeste Sousa Silva, que tiveram salários líquidos acima de R$ 83 mil. Marcelino Everton Chaves, aposentado voluntariamente antes da Operação 18 Minutos, recebeu R$ 42.364,42 em dezembro, enquanto Nelma Sarney, em disponibilidade desde fevereiro de 2024, teve R$ 83.218,01 no mesmo mês.
Guerreiro Júnior liderou os contracheques com R$ 87.137,82 em dezembro, apesar de ser alvo de denúncia por fraude em decisões que favoreceriam o Banco do Nordeste. Em janeiro, a folha dos quatro chegou a R$ 146.205,59, sem incluir o salário de Marcelino, e em novembro somou R$ 184.800,08, totalizando R$ 296.073,77 em dezembro de 2025, período em que os vencimentos geralmente aumentam.

