O fenômeno El Niño, que pode se tornar um dos mais severos já registrados, começa a mostrar seus primeiros sinais no Brasil, conforme informações do boletim semanal do Instituto ClimaInfo. A intensidade das chuvas no Rio Grande do Sul, que afetou mais de 84 mil pessoas em 171 municípios, está alinhada com os padrões esperados deste fenômeno climático.
Historicamente, o Sul é a primeira região do Brasil a sentir os impactos do El Niño, com efeitos que costumam se manifestar ainda na primavera. Este fenômeno altera significativamente o padrão de chuvas no país, trazendo um aumento nas precipitações no Sul, enquanto o Norte e o Nordeste enfrentam secas prolongadas e um maior risco de incêndios florestais, especialmente na Amazônia e no Cerrado. O aquecimento das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial é uma das características marcantes do El Niño.
Em 2026, a anomalia de temperatura já chegou a 1,8°C, superando a média histórica para esta época do ano. O modelo europeu ECMWF prevê um pico de aquecimento acima de 3°C entre setembro e dezembro, com metade das simulações indicando uma anomalia de aproximadamente 3,3°C.
Embora as queimadas em junho tenham sido 27% inferiores à média histórica e 14% abaixo dos números de 2025, resultado atribuído ao aumento de brigadistas e à Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo, as previsões indicam que a situação pode se agravar. O El Niño tende a acentuar a seca nas regiões da Amazônia e do Cerrado, elevando o risco de incêndios até o final de setembro.
O Boletim do El Niño é uma publicação semanal que compila dados de institutos e agências oficiais como Inpe, INMET e ANA, juntamente com informações da imprensa nacional e internacional sobre o fenômeno.
De acordo com a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), há uma probabilidade de 95% de que um evento de grande magnitude ocorra entre outubro e dezembro de 2026, afetando principalmente o hemisfério Norte.



