O universo das franquias de terror frequentemente enfrenta o dilema de se reinventar ou de se manter na repetição de fórmulas que já não surpreendem mais o público. Com quase duas décadas de história e seis filmes lançados, Sobrenatural: Agora Entre Nós, dirigido por Jacob Chase e disponível nos cinemas desde quinta-feira, 20, tenta adotar uma abordagem que mescla esses dois caminhos. O resultado, embora não isento de falhas, apresenta algumas novidades que podem atrair os espectadores.
A narrativa do filme centra-se em Gemma, interpretada por Amelia Eve, que retorna à casa de sua infância para criar sua filha. No entanto, essa nova fase de tranquilidade é rapidamente abalada quando Gemma descobre que tem a capacidade de atravessar o plano astral, conhecido como O Além, que abriga espíritos e entidades malignas. Ao voltar, ela traz consigo algo do outro lado. A situação se complica ainda mais com a invasão de criminosos na vizinhança, que transforma o terror sobrenatural em uma ameaça física palpável, fornecendo ao filme material suficiente para seus pouco mais de 100 minutos de duração.
Um dos pontos mais positivos de Sobrenatural: Agora Entre Nós é a forma como aborda a temática geracional. A luta de Gemma contra seus próprios medos, enquanto busca proteger a filha de uma ameaça que, inadvertidamente, trouxe para casa, gera momentos de tensão que ressoam com a audiência. Cenas impactantes, como a que envolve um cachorro e uma criança em um armário, lembram o que fez a franquia ter sucesso em seus primórdios.
O elenco também contribui positivamente, com Sam Spruell, que dá vida a uma nova entidade vinda de O Além. Sua atuação é eficaz ao construir uma ameaça que se distancia do estereótipo do demônio comum, mantendo o ritmo em sequências marcantes, como uma cena claustrofóbica em formato de labirinto, que se destaca visualmente. Esses momentos refletem a habilidade de Chase em criar tensão, embora o filme ainda dependa de elementos que parecem mais voltados para prolongar a história do que realmente dialogar com a essência do terror que caracteriza a franquia.
É importante notar que Agora Entre Nós é lançado em um ano particularmente movimentado para o estúdio Blumhouse, que também trouxe aos cinemas outros filmes de terror, como Backrooms e Obsessão, ambos lançados em 2026. Essa comparação não favorece o novo capítulo de Sobrenatural, pois enquanto os outros dois exploram conceitos mais inovadores dentro do gênero, a franquia parece estar presa a um passado que a impede de se comprometer totalmente com uma verdadeira reinvenção.
Apesar disso, é inegável que este é, talvez, o primeiro filme da série a se arriscar em novas direções em um longo tempo. Embora ainda distante de concorrentes mais afiados, como Invocação do Mal, que, embora também tenha perdido força, mantém uma narrativa mais coesa ao misturar folclore, família e horror, Agora Entre Nós demonstra que ainda existe vontade de surpreender, mesmo que entre armários e dimensões paralelas, a franquia ainda tenha um longo caminho a percorrer.



