Os Estados Unidos anunciaram, nesta quarta-feira (15), a imposição de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros. A decisão é resultado de uma investigação realizada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que apontou práticas desleais por parte do Brasil que, segundo os EUA, prejudicam suas empresas e exportadores.
Além da tarifa, o USTR recomendou à Casa Branca uma atualização na lista de isenções, que indicará quais produtos não serão afetados pela nova alíquota. Até o momento, informações disponíveis indicam que itens como café e carne bovina não serão incluídos no tarifaço.
O governo brasileiro já esperava essa decisão, tendo se preparado para entender as consequências da medida tanto em relação às alíquotas quanto aos produtos que serão objeto das tarifas. A aplicação das taxas afetará diversos setores da indústria nacional, com a Confederação Nacional da Indústria (CNI) estimando que cerca de 4 mil produtos poderão ser impactados, resultando em um prejuízo potencial de aproximadamente US$ 14,9 bilhões nas exportações para os EUA.
Interlocutores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reuniram na manhã desta quarta-feira com autoridades que tratam das relações internacionais do país. Eles avaliaram que os argumentos apresentados pelos EUA para a imposição das tarifas carecem de fundamentos técnicos e têm um caráter político.
Embora o comércio entre Brasil e Estados Unidos apresente um superávit para os norte-americanos, a administração de Donald Trump justifica a imposição das tarifas alegando que o Brasil adota práticas que oneram a indústria e os produtores norte-americanos. As taxas visam, segundo a justificativa, equilibrar a balança comercial entre os dois países.
A investigação que fundamenta essa decisão é baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, que trata de práticas comerciais desleais. A medida foi amplamente discutida, especialmente considerando a participação de políticos da oposição no Brasil, como o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que participou de audiências sobre a questão nos EUA.



