Recentemente, os EUA anunciaram a imposição de tarifas de 50% sobre diversas categorias de produtos provenientes do Canadá, incluindo automóveis e laticínios. Essa medida evidencia que a prática do protecionismo não se limita ao Brasil, uma vez que o ex-presidente Donald Trump adotou tarifas contra países tradicionalmente aliados dos EUA.
A postura atual do governo americano em relação ao protecionismo é uma continuidade de uma defesa que Trump faz desde a década de 1980. As tarifas são vistas como uma ferramenta estratégica para quatro objetivos principais: i. aumentar a arrecadação de tributos de importação e, assim, reduzir o déficit fiscal; ii. promover a reindustrialização dos EUA, encarecendo a produção fora do país; iii. enfraquecer a economia da China, que exporta para os EUA por meio de outras nações; iv. garantir vantagens em negociações sobre temas como terras raras e propriedade intelectual.
Independentemente da efetividade da abordagem protecionista adotada por Trump, é fundamental reconhecer que o ex-presidente mantém uma postura firme, mas aberta a negociações. Essa dinâmica parece ser mal compreendida ou ignorada pelo governo brasileiro. Em vez de buscar concessões em áreas como o apoio à indústria nacional e parcerias em investimentos em terras raras, o governo opta por recorrer a um discurso que enfatiza a narrativa de ataque à soberania e o uso do termo “imperialismo americano”.
Embora haja exageros nas críticas feitas pelos EUA em relação ao sistema de pagamentos brasileiro, conhecido como PIX, e ao desmatamento, é necessário admitir que o Brasil ainda apresenta uma economia altamente protecionista, com tarifas elevadas e insegurança jurídica em relação à propriedade intelectual e à capacidade de refino de terras raras.
Por conta de um posicionamento político e ideológico que parece mesquinho, o Brasil perde oportunidades de avançar nas negociações com os EUA. A expectativa recai sobre a atuação do setor privado brasileiro, que já conseguiu algumas isenções tarifárias significativas, além de se contar com a inflação nos EUA como um fator que pode influenciar a mentalidade de Trump.



