Na última segunda-feira (20), taxistas e motoristas do transporte alternativo do Paraguai realizaram uma reunião com autoridades locais e nacionais em Ciudad del Este. O encontro ocorreu em meio à ameaça de protestos na Ponte da Amizade, motivados por apreensões de veículos pela Receita Federal do Brasil (RFB). Os motoristas consideram essas apreensões arbitrárias, alegando que não têm como fiscalizar o conteúdo das bagagens dos passageiros.
Durante a reunião, os motoristas expressaram suas preocupações após uma série de confiscos, que, segundo eles, resultaram na apreensão de 15 a 20 táxis e vans nas últimas semanas. Florencio Soto, dirigente do setor, destacou que muitos motoristas perderam seus veículos em função de mercadorias que não sabiam estar transportando. "Nós não somos policiais para revistar o que os passageiros levam", afirmou ao jornal ABC Color.
Os taxistas e condutores de vans, que atuam na região da Ponte da Amizade, organizaram uma carreata até a sede do governo regional do Alto Paraná, onde foram recebidos pelo governador César “Landy” Torres, do Partido Colorado, que também conta com o respaldo do presidente Santiago Peña. O prefeito de Ciudad del Este, Daniel Pereira Mujica, e o senador Rubén Velázquez também participaram da reunião.
Os motoristas pedem que o governo do Alto Paraná intervenha junto ao Ministério das Relações Exteriores do Paraguai, com o intuito de formalizar uma queixa ao Brasil sobre as apreensões. Eles informaram que, caso não haja uma resposta satisfatória, poderão bloquear a passagem de veículos pela Ponte da Amizade.
Uma nova reunião está agendada para quinta-feira (23) em Ciudad del Este, com representantes da Chancelaria do Paraguai. Os trabalhadores esperam que desse encontro saia uma nota oficial com questionamentos direcionados ao Brasil sobre as apreensões de veículos na fronteira.



