Na terça-feira (1º), os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça e Alexandre de Moraes, protagonizaram uma discussão durante uma sessão da Corte. A conversa foi iniciada por Moraes, que expressou sua insatisfação ao se sentir surpreendido por Mendonça, acusando-o de direcionar críticas a ele intencionalmente.
A tensão entre os ministros surgiu no contexto de um relatório da Polícia Federal (PF), que contém mensagens trocadas entre Moraes e Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. Mendonça, em um despacho enviado à Procuradoria-Geral da República (PGR), solicitou uma manifestação sobre o conteúdo do relatório, estabelecendo um prazo de cinco dias para a resposta do procurador-geral, Paulo Gonet.
As conversas entre Vorcaro e Moraes, que foram parcialmente divulgadas pela imprensa, revelam um cenário preocupante. Uma semana antes de sua prisão, em novembro de 2025, Vorcaro enviou uma mensagem ao ministro, sugerindo que um outro contato, identificado como Andrei, poderia ajudar a evitar problemas financeiros para o banco, caso pudesse atrasar um compromisso. O conteúdo e a urgência das mensagens levantam questões sobre a natureza das relações entre os envolvidos.
Além disso, um dia antes, Vorcaro havia enviado outra mensagem a Moraes expressando sua frustração em relação a uma situação não revertida com Paulo ou Andrei, indicando um clima de desespero diante das circunstâncias que se aproximavam. Essas mensagens foram fundamentais para a investigação, que culminou na prisão de Vorcaro em 17 de novembro de 2025.
O empresário foi detido no Aeroporto Internacional de Guarulhos enquanto tentava embarcar em um jato particular com destino a Dubai, com escala prevista em Malta. A repercussão dos diálogos entre Vorcaro e Moraes e as investigações em curso pela PF trazem à tona questionamentos sobre a condução das ações judiciais e a integridade das relações institucionais no Brasil.



