O ativista Tim Ballard, conhecido por seu trabalho no combate ao tráfico de crianças, participa nesta data de uma audiência na Comissão Externa sobre Prevenção e Enfrentamento da Violência Sexual Infantojuvenil na Câmara. Ele é o fundador da ONG Operation Underground Railroad (OUR), que atua no desmantelamento de redes de tráfico infantil. Sua trajetória foi retratada no filme Som da Liberdade, com Jim Caviezel no papel principal.
Antes da oitiva, marcada para hoje, Ballard concederá uma entrevista ao programa ALive, apresentado por Claudio Dantas, às 11h, no YouTube. A presença dele no Brasil ocorre em um contexto alarmante, conforme revelado pelo 19º Anuário Brasileiro de Segurança Pública. O documento, divulgado em 24 de julho de 2025, aponta que em 2024 foram registrados 87.545 casos de estupros e estupros de vulnerável, o que representa um aumento superior a 100% desde 2011, com uma média de uma vítima a cada seis minutos.
Dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp) e da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp/MJSP) também destacam a gravidade da situação no Brasil. Em 2025, o país registrou 23.919 casos de desaparecimento de crianças e adolescentes, o que equivale a 66 desaparecimentos diários. Este número representa 30% dos 84.760 desaparecimentos gerais ocorridos no mesmo ano, marcando um aumento de 8% em relação a 2024.
A iniciativa de convocar Ballard para a audiência partiu do deputado Fernando Rodolfo (PRD-PE). Com mais de 60 missões realizadas em países como Colômbia, Equador, Argentina, México, Ucrânia e Brasil, a ONG OUR é responsável pelo resgate de vítimas e pela capacitação de forças de segurança locais, além de oferecer suporte pós-traumático a sobreviventes.
Em uma audiência anterior, ocorrida em 20 de maio de 2025 na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado Federal, Ballard destacou áreas de alta vulnerabilidade no Brasil, mencionando especificamente a Ilha de Marajó, no estado do Pará. Durante sua fala, ele enfatizou que a proibição legal da atuação de agentes infiltrados, especialmente os estrangeiros, representa um entrave significativo no combate a redes de pedofilia no país, defendendo a necessidade de fortalecer a cooperação internacional para enfrentar esses crimes.



