O Ministério da Justiça e Segurança Pública anunciou a demissão de Eduardo Bolsonaro do cargo de escrivão da Polícia Federal (PF) devido ao abandono de cargo. A decisão foi oficializada pelo ministro Wellington César Lima e Silva no dia 18 de setembro e divulgada ao público na segunda-feira, 21.
A demissão de Eduardo Bolsonaro já havia sido recomendada em um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) concluído pela PF em julho deste ano, que apontou abandono de cargo como a razão. A corregedoria-geral da PF encaminhou o relatório ao ministro, que agora tinha a responsabilidade de decidir sobre o futuro do ex-deputado no órgão.
O papel de um escrivão da PF é crucial, uma vez que esse profissional é encarregado de fornecer suporte formal às investigações, gerenciando documentos e registros relacionados aos inquéritos. Entre suas atribuições estão a elaboração de termos e autos, organização de provas e acompanhamento de diligências.
O processo que resultou na demissão de Eduardo Bolsonaro teve início quando ele se mudou para os Estados Unidos no começo de 2025, alegando perseguição política no Brasil. Em decorrência de suas ausências, a Mesa Diretora da Câmara dos Deputados decidiu pela perda de seu mandato em dezembro do ano anterior. Após essa decisão, ele foi notificado para retornar ao serviço.
Em fevereiro, a PF deu início a um processo disciplinar para investigar o abandono de cargo do ex-deputado. Em um desdobramento judicial, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou Eduardo Bolsonaro, no dia 16 de junho, a quatro anos e dois meses de prisão por coação no curso do processo, com votos favoráveis do relator Alexandre de Moraes e dos ministros Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Flávio Dino.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) alegou que Eduardo Bolsonaro influenciou o governo dos Estados Unidos a impor sanções e tarifas contra o Brasil e autoridades do Judiciário, numa tentativa de obstruir o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no STF. O ex-presidente foi condenado em 2025 por sua participação em uma trama golpista.



