A ex-deputada Carla Zambelli solicitou nesta segunda-feira (2) apoio financeiro de R$ 50 por mês para continuar morando na Itália, onde está desde o ano passado à espera da decisão da Justiça italiana sobre o pedido de extradição ao Brasil. Segundo ela, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a registrou na Interpol por crime financeiro, o que a impede de abrir conta em banco em qualquer país.
Em vídeo, Zambelli explicou que, na Itália, para trabalhar é necessário ter uma conta em seu nome para receber salário, e que não tem como fazer isso. A contribuição mensal daria acesso a uma comunidade com conteúdos exclusivos de várias áreas do conhecimento, segundo a ex-deputada, que promete relatar a experiência na prisão.
A Justiça da Itália adiou para 24 de novembro o julgamento sobre a extradição de Zambelli, condenada por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal. Em 2022, ela sacou um revólver e perseguiu um jornalista pelas ruas de São Paulo. A Corte de Apelação de Roma atendeu a pedido da defesa, que alegou não ter tido acesso à documentação enviada pelo Brasil sobre as condições da Penitenciária Feminina do Distrito Federal, conhecida como Colmeia, para onde Zambelli deve ser levada se extraditada.
A defesa já havia conseguido reverter uma autorização anterior na Corte de Cassação, última instância recursal italiana, que apontou falta de imparcialidade de Alexandre de Moraes no julgamento do caso. Em nota, o advogado Eduardo Maurício afirmou que o julgamento desta terça (27) não poderia ocorrer sem acesso à documentação, o que impediria a ampla defesa e o contraditório sobre a garantia à saúde da ex-deputada. Ele acrescentou que extraditá-la ao Brasil seria entregá-la à morte, dada a condição desumana do sistema prisional brasileiro.
Zambelli foi condenada a 10 anos de prisão pela Primeira Turma do STF em 2025 por invasão de sistema informático e falsidade ideológica, por liderar invasão aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em 2022 para inserir mandado de prisão falso contra Moraes. No mesmo ano, recebeu outra condenação, de 5 anos e 3 meses, em regime semiaberto, por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal. Ela deixou o Brasil com passaporte europeu rumo aos Estados Unidos e depois à Itália, onde pediu refúgio por perseguição política, e aguarda em Roma o julgamento do segundo pedido de extradição.



