A Comissão de Ética Pública (CEP) decidiu que Gustavo Guimarães, ex-secretário-executivo do Ministério do Planejamento e Orçamento, deverá cumprir uma quarentena remunerada de seis meses antes de iniciar sua nova função na iniciativa privada. A deliberação foi oficializada em 13 de abril e visa evitar possíveis conflitos de interesse.
Durante o período de quarentena, Guimarães continuará recebendo um salário bruto de R$ 46,9 mil, conforme os Dados do Portal da Transparência, que indicam seu vencimento até o fim do ano passado. Essa medida foi adotada após o ex-secretário manifestar a intenção de trabalhar na Global Intelligence and Analytics (GIA), uma empresa que se dedica à produção de análises estratégicas e estudos econômicos.
A relatora da Comissão, Marcelise de Miranda Azevedo, destacou que a transição imediata para a iniciativa privada poderia resultar em riscos relacionados ao uso de informações obtidas durante seu tempo no serviço público. O parecer da comissão menciona o “risco concreto de utilização, ainda que não intencional, de informações privilegiadas, com potencial de favorecimento indevido”.
Na GIA, Guimarães deverá se envolver na elaboração de propostas que abranjam políticas públicas, regulação econômica e análise de riscos institucionais. Além disso, seu trabalho incluirá a produção de relatórios estratégicos voltados a clientes dos setores público, privado e do terceiro setor, assim como estudos sobre política fiscal e planejamento governamental.
A decisão da CEP refere-se especificamente à análise de conflitos de interesse no período de transição. A conselheira também enfatizou que outras questões relacionadas à carreira de Guimarães como auditor do Banco Central devem ser avaliadas por um órgão competente. As normas de integridade pública preveem a quarentena para prevenir o uso indevido de informações adquiridas durante o exercício de cargos públicos em favor de interesses privados.



