O deputado federal Paulinho da Força, do Solidariedade-SP, expressou críticas ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva, especialmente após uma série de derrotas no Congresso Nacional. Em entrevista, ele lamentou a recente derrubada do veto ao projeto de lei da Dosimetria, ocorrida na quinta-feira, 30, e indicou que o PT planeja recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra essa decisão.
Em suas declarações, Paulinho atribuiu a derrota do governo à falta de diálogo com o Congresso, afirmando que Lula parece governar apenas para aqueles que o visitaram durante seu período de prisão em Curitiba, que durou 580 dias. O deputado, um aliado histórico do PT, enfatizou que a insatisfação com o governo não se limita ao partido, mas se estende a uma postura de desinteresse em ouvir as demandas do Legislativo.
Paulinho afirmou: "Eu tenho dito até — e é importante lembrar que eu apoiei o Lula, mas não vou apoiar mais — que o Lula está governando apenas para quem visitava ele na cadeia. Não é nem para o PT, mas para aqueles que visitavam ele na cadeia." Isso reflete uma crítica à forma como o governo tem conduzido suas relações com o Congresso, especialmente em momentos críticos.
O deputado também mencionou a insistência de Lula na nomeação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o STF, mesmo após alertas de Davi Alcolumbre, presidente do Senado, sobre a rejeição do nome. Paulinho observou que a ausência de diálogo e a falta de escuta do presidente em relação às orientações do Congresso contribuem para a fragilidade do governo.
Recentemente, o governo enfrentou duas derrotas significativas no Congresso. Na quarta-feira, 28, a indicação de Jorge Messias ao STF foi rejeitada, com 42 votos contra e apenas 34 a favor, sendo necessário um mínimo de 41 votos para aprovação. No dia seguinte, a derrubada do veto ao PL da Dosimetria Na Câmara foi ainda mais contundente, com 318 votos a favor da derrubada, 144 a favor da manutenção do veto e cinco abstenções. No Senado, o resultado foi de 24 votos a favor e 49 contra.
A necessidade de pelo menos 257 votos Na Câmara e 41 no Senado para sustentar o veto indicou a fragilidade da base governista. Agora, o projeto de lei segue para promulgação, evidenciando a dificuldade do governo em manter apoio legislativo.



