A Polícia Federal (PF) deflagrou na última quinta-feira (7) a 5ª fase da Operação Compliance Zero, dando cumprimento a um mandado de prisão temporária e a dez mandados de busca e apreensão, todos expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF). As operações estão sendo realizadas em estados como Piauí, São Paulo, Minas Gerais e no Distrito Federal, com a autorização do ministro André Mendonça.
Além das buscas, o STF também determinou o bloqueio de bens, direitos e valores que somam R$ 18,85 milhões. Entre os alvos da operação está o senador Ciro Nogueira (PP-PI), que ocupa o cargo de presidente nacional do Partido Progressista e já foi ministro da Casa Civil durante o governo Bolsonaro. A PF está realizando buscas em seus endereços localizados em Brasília e no Piauí.
Durante a investigação, a PF encontrou mensagens no celular de Daniel Vorcaro, banqueiro ligado ao Banco Master, que indicam uma amizade próxima entre ele e Ciro Nogueira. Nos diálogos, Vorcaro se refere ao senador como “grande amigo de vida” e expressa satisfação com uma emenda apresentada por Nogueira que beneficiaria sua instituição financeira. Além disso, há menções a um pagamento autorizado a uma pessoa identificada apenas como “Ciro”.
Outro ponto relevante das mensagens é uma conversa entre Fausto Pinato, deputado federal (PP-SP), e Vorcaro, onde Pinato sugere uma videoconferência com Nogueira. Vorcaro responde positivamente, mostrando interesse em participar de eventos familiares do senador, como o casamento de sua filha, que ocorreu em agosto de 2024.
O mandado de prisão temporária foi emitido contra Felipe Cançado Vorcaro, primo de Daniel Vorcaro. A decisão judicial destaca a identificação de uma suposta conduta de Ciro Nogueira que favoreceu o banqueiro em troca de vantagens econômicas indevidas. A operação visa aprofundar as investigações sobre um esquema que envolve corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes contra o Sistema Financeiro Nacional.
Em resposta às acusações, Ciro Nogueira reconheceu conhecer Daniel Vorcaro, mas negou qualquer proximidade ou envolvimento com pagamentos relacionados à investigação. O senador classificou as insinuações como uma tentativa de manchar sua biografia e assegurou que está tranquilo quanto ao andamento das investigações, afirmando que nunca manteve condutas inadequadas.



