Daryl McLune, um jovem de 16 anos, enfrentou uma situação traumática em 2021 ao ser acusado de tentar assassinar sua própria mãe. O incidente ocorreu em julho, quando ele chegou em casa, no sul de Londres, e encontrou paramédicos prestando socorro à sua mãe, Annette McLune, que havia tentado tirar a própria vida. Apesar de não ter antecedentes criminais e de ter um bom desempenho escolar, Daryl foi tratado como um criminoso durante um dos momentos mais difíceis de sua vida.
A abordagem da polícia foi rápida e violenta. Apenas 26 minutos após o início do atendimento à sua mãe, Daryl foi algemado e levado sob custódia, acusado de tentativa de homicídio, mesmo afirmando que não estava presente no local do incidente. Vídeos das câmeras corporais dos policiais, apresentados no tribunal, mostram o desespero do adolescente, que clama: “Eu nem estava aqui!”.
A defesa do jovem argumentou que a polícia agiu de maneira precipitada ao considerar Daryl como suspeito. Para os advogados, o caso exemplifica uma “criminalização prematura”, onde o jovem não recebeu o apoio emocional que necessitava em um momento tão delicado.
Após um julgamento que durou sete dias, um júri decidiu que a Polícia Metropolitana de Londres discriminou Daryl com base em sua raça. O tribunal concluiu que ele foi tratado de maneira menos favorável do que um jovem branco teria sido em circunstâncias semelhantes. Essa discriminação não apenas influenciou a acusação, mas também a decisão de mantê-lo detido por 23 horas.
O tribunal reconheceu o crime de cárcere privado e a violação dos direitos humanos do adolescente. Como consequência, a Polícia Metropolitana deverá pagar uma indenização que pode chegar a £ 130.000, o que equivale a aproximadamente R$ 891 mil. O valor da indenização visa compensar o sofrimento e a humilhação causados pela intervenção policial em um momento de tragédia pessoal para a família McLune.



